quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Dia Hoje

Hoje.

Que dia é esse?

Mais um dia comum, um dia útil, normal, não tem nada diferente, nada de extraordinário.

As pessoas continuam se movendo, alguns por impulso, outros por ganância, e alguns poucos sabem o que querem, porque sabem quem comanda tudo no universo, essa referência faz a diferença em sua construção de vida de sonhos.

É claro que todos os dias um ciclo se fecha dando início a outro, mas hoje não, nada.

Todos os dias são assim como esse.

Minha única esperança é esperar.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Fim de Feriado

Eles desceram do carro parado em frente ao condomínio. Corpos cansados, rostos levemente queimado pelo Sol.

Cansado de se divertir, era visível a marca de sorriso estampado em seus rostos, o dia deve ter sido bom, bem divertido, estão todos exasto se movendo preguiçosamente.

Abrem o porta malas e tiram mochilas, sacolas, cabelos molhados, pés de chinelos.

Taí alguém que soube aproveitar esse feriado, deve ter sido um dia lindo cheio de aventuras e sorrisos, piscinas ou cachoeira, talvez uma praia, ou uma aventura radical como pular de paraquedas, mergulhar em alto mar.

Não sei o que eles fizeram, mas fizeram algo que deixou evidente que suas vidas; pelo menos hoje, foi melhor do que a minha.

As preocupações deles são outras, se é que esses sorrisos se preocupam com algo de fato.

O fato é que eu não fiz nada além de trabalhar, não sei nada além do meu serviço.

Curtir tem outro significado pra mim, é como se fosse outra palavra para eles.

Preciso reaprender alguns significados.

Esses jovens exalando saúde e energia, transbordam felicidade de ser quem são, ou então eles atuam muito bem. Tenho que aprender a viver como se houvesse a vida inteira pela frente, como um lindo dia, satisfeito de ter aproveitado o sol, banhando por abundante água gelada, como aqueles cansados corpos e sorridentes juvenis.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Quem não quer

Quem não quer reconhecimento?
Quem não quer ser feliz?
Quem não quer não precisar das outras pessoas?
Quem não quer ajudar os outros?
....
Quem nesse mundo se doa pelos outros?
Quem não sabe o que quer ? Principalmente depois de ter alcançado um ou dois objetivos?
Quem não fica confuso com tantas opções?
Quem nunca teve medo do fracasso, convivendo com ele?
....

Agora você pode ser tudo, mesmo não sendo nada, agora você pode ser o que você queira, menos você mesmo.
....
A sociedade desse mundo já era. As pessoas acabaram com ela tentando salva-la.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Problema do teletransporte

Antes dos primeiros contatos com os outro seres universo, já tínhamos uma vasta pesquisa sobre o Teletransporte, alguns testes quânticos revelaram o sucesso do teletransporte.
A esperança do deslocamento rápido da humanidade estava assegurado. Porém alguns filósofos alertaram para os problemas sociocultural que esse tipo de transporte poderia causar nas futuras regações.
Felizmente com ajuda da tecnologia e engenharia de outras civilizações do universo, conseguimos avançar em pouco tempo. Logo teletransporte substituiu serviço de transporte de cargas pelos oceanos. Para infelicidade das pessoas que se formavam em logística.
Depois de longos estudos e pesquisas conseguimos aperfeiçoar o teletransporte, transmitimos coisas pelo universo, objetos, comidas, matéria prima, tudo vinha e voltava pelo teletransporte. O universo inteiro usava nossas soluções de teletransporte.
Apesar da maioria das raças de seres do universo viajarem por teletransporte, nós (os seres vivos do planeta Terra) nunca conseguimos chegar vivo, do outro lado.
No início o teletransporte foi apelidado de “Moedor de Carne Expresso”.
Pois a materialização do outro lado era uma coisa nojenta e desorganizada.
Depois de ajustarem alguns parâmetros, conseguimos materializar as pessoas do outro lado, mas ainda sem vida.
Aquilo começou a se tornar constrangedor, éramos os únicos no universo que não se movia pelo teletransporte.
Depois de muitas teorias, teste (este que quase extinguiu a população carcerária dos países menos desenvolvidos), chegamos a conclusão que os humanos não sobrevivem ao teletransporte, na verdade não sobrevivem a desmaterialização. Tentaram de tudo, inclusive diminuir a massa para zero, ainda assim do outro lado chegava um corpo perfeito sem vida. (Num dos testes usaram toda energia disponível para acelerar ao máximo tentando diminuir o tempo de transporte para nano-milésimos, acreditavam que quanto mais rápido mais chances de tinham alguém chegar vivo do outro lado, (nesse caso específico a pessoa não apareceu, ela simplesmente sumiu)).
Alguém disse que “A alma humana é muito grande para ser teletransportadas",  então o assunto tomou proporções espirituais e filosóficas quase ao nível da insanidade.

O Teletransporte era usado para tudo em nossa sociedade, substituindo todo tipo de transporte que qualquer coisa que não fosse viva.
Os bancos e instituições financeiras investiram pesado para implantar essa tecnologia, eliminando todos os custos de transporte de valores.
Todo dinheiro era teletransportado direto de um cofre para o outro. Os caixas eletrônicos equipados com teletransporte nunca precisavam ser carregados.
Até o setor problemático de telecomunicações foi beneficiado com o Teletransporte, todos os celulares tinham a tecnologia de transmissão.de dados via teletransporte.
Um dia num laboratório brasileiro de pesquisa em teletransporte, um estagiário comenteu um erro de programação em um dos milhares de teste que faziam diariamente, então ao invés de teletransportar alguém ou alguma coisa, ele fez uma cópia sem  desintegrar o objeto, então ele poderia clonar instantaneamente qualquer coisa ou pessoa.
Logo os bancos, descobriram isso aumentam suas riquezas a valores absurdos, o planeta inteiro entrou numa crise que acesso de abastecimento, de dinheiro.
Em seguida a tecnica foi usada na.medicina, acabando com as filas para transplante de órgãos.
Tudo estava quase indo bem quando um grupo de hackers descobriu que era possível interceptar informações teletransportadas, e copiar transmissão sem alterar o destino da carga. Era uma máquina que lia as frequências de qualquer coisa sendo teletransportadas, então ele teletransportava isso para um outro lugar. (Na verdade foi um teste de teletransportar o ar de um lugar para o outro, assim por acidente materializou algo além do ar)
A ideia funcionou de tal maneira que os governos no universo inteiro foram atrás dessa tecnologia para destruí-la. Assim depois de prender o bando, essa máquina foi escondida nos laboratórios de pesquisas da Federação Universal. Lá eles estudaram a máquina, para se protegerem dela.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Restringiram o acesso

“Devido a interferência de usuários na via os trens estão circulando com velocidade reduzida maior tempo de parada!”.

Essa é a frase que precede o caos, trens lotados, plataformas cheias filas nas catracas, pessoas estressadas, funcionários exaustos, velhas caindo no vão entre o trem e a plataforma, pessoas comprimidas ao extremo, portas que não se fecham completamente.

A voz anônima ecoa dos altos falantes para toda estação.

“Estamos restringindo o acesso nas plataformas por medidas de segurança”
Porque!?
Logo agora!?
No horário de pico. Bem no momento em que todo mundo precisa do transporte público, uma única pessoa, sozinha! Tenta se matar? Ou conseguiu! Talvez nenhum dos dois, ou então alguém estava fazendo alguma coisa na hora e no lugar errado.

Daí vem aquela gente que diz que tudo é uma porcaria um lixo! Que deveria sair do país. E todo aquela reflexão já refletida, assuntos de bolso que todos guardam para momentos como esse.

A questão máxima é:
O que seria exatamente a interferência de usuário na via?
Numa rua onde circulam automóveis seria um pedestre tentando atravessar para o outro lado.
E numa linha de trem? Do metrô, com o terceiro trilho proximo do chão, com quase doze mil volts.

Será que esse indivíduo realmente tentou se matar?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pai do Prodigo

Era mais uma manhã, mais um dia sem ele, desde que se fora, passava as primeiras horas da manhã observando o horizonte o sol nascer ao fundo, para além porteira principal a entrada da fazenda.
Essas terras era de sua família a mais de 10 gerações, ele sonhava com o dia em que passaria o legado para seus dois filhos; desde que começará com o negócio de reflorestamento os valores em sua conta bancária triplicou, se quisesse viveria de juros mais 5 ou 6 gerações.

Seus olhos inquietos observava o horizonte, estático como uma fotografia nada surgia, assim começava mais um dia, todas as manhãs eram dolorosa, depois que ficará viúvo tinha se apegado demais a seus dois filhos, imaginava um futuro brilhante para cada um deles, traçava planos, sabia que eles seriam realizados, felizes, acima de tudo sabia que a fazenda continuaria em boas mão, o legado continuaria.
Ainda observando permitiu uma lágrima borrar sua visão, naquele dia completará 3 anos que seu caçula se fora, pior que saber que seu filho está morto, é não saber onde ele esta, é não saber como ele está, é respeitar a escolha sua escolha de não querer fazer mais parte da família e sumir pelo mundo.

Todos os dias quando ele não surge no horizonte é mais um dia de luto, como se recebesse a notícia de óbito do filho todos os dias, durante longos 3 anos.
Logo quando o Sol surgia voltava a suas atividades de fazendeiro, se permitia sobrecarregar de trabalho para manter a cabeça ocupada, sempre que passava pela porteira principal gastava algum tempo observando a estrada por onde ele se fora, muitas vezes teve a ilusão de velo andando devolta bem vestido, arrumado como um empresário de sucesso, com saudades da calmaria do lar. Era como uma miragem.

Nos dias de inverno ficava grudado na janela observando a porteira, durante a noite nunca dormia de fato, ficava sempre alerta a qualquer ruído corria para porta para ver o que era, na esperança de ver quem era, mas nunca era ele.
As vezes se surpreendia rindo, imaginando o dia em que o teria devolta em seus braços, imaginava a festa que daria, pensava em todos os detalhes. Alimentava os cordeiros com segundas intenções, sempre deixava um ou dois dos mais gordos de reserva caso se precisasse de uma festa de última hora.
Todas as manhãs eram iguais, deixava uma lágrima cair quando não via. Ao mesmo tempo que tinha esperança de vê-lo surgir devolta na porteira, o choque da realidade cruelmente anunciava mais um dia de luto.

Naquele dia depois do almoço o mais velho liderou uma expedição  para um setor da área de reflorestamento, o pai levou o faraó (vira-lata de estimação da fazenda) para passear, o cachorro correu para porteira e ficou latindo alto em direção da estrada, o pai foi até o cachorro e ficou pensando por que ele estava tão inquieto, latia sem parar. O sol estava forte, o ar muito seco, decidiu levar faraó para um local de sombra, quando ergueu seus olhos para o fim da estrada no horizonte viu um mendigo esfarrapado tropeçando pelo caminho,  a primeira vista não se importou muito, queria levar o cachorro para um lugar mais fresquinho, quando o resto humano pelo caminho levantou a mão e continuou andando algo lhe pareceu familiar.

Seus olhos se concentraram naquele podre homem no caminho, seu coração começou a disparar, as lágrimas começaram a pesar.

— Não pode ser — pensou em voz alta.

Se lembrou da decepção que teve quando confundiu um vendedor que chegara sem avisar, a alguns meses atrás, depois disso só atendia quem marcasse horário.
Não conseguia parar de olhar aquele vulto humano cambaleando, o faraó não parava de latir e bater as duas patas no chão, como fazia quando brincava com as crianças.
Conforme o homem se aproximava pode reconhecer a feição de seu filho em meio a sujeira e aquela barba desajeitada.

Seus coração disparou não pode conter a enxurrada de lágrimas que guardara todos esses anos para aquele momento, tentou erguer a voz chamando os empregados, mas lhe faltou a voz, o nó na garganta era amargo.

Sem esperar nem mais um segundo depois de ter certeza absoluta, aquele velho pai sai correndo em direção ao seu filho, que surgirá do mundo dos mortos, foi o mais rápido que seus joelhos lhe permitiram, filho desorientado se jogou nos braços do pai soluçando seu arrependimento, com coração cheio de culpa.
Os dois abraçados chorando, tentavam dizer alguma coisa para o outro, mas o choro não deixava.

Vergonha e culpa de um lado, felicidade e esperança do outro.

Faraó uivava de Saudades do seu antigo companheiro, batia suas patas nas costas do filho implorando um pouco de atenção.
O pai levantou o filho; lhe pareceu muito mais leve como de costume, colocou ele nos ombros e o carregou  porteira a dentro, gritando o nome de todos que poderiam estar perto.

— Rute!!! Maria!! , Jorge!! Venham!!!

O Pai continuou carregando o filho até a entrada da casa.

O filho tentava dizer alguma coisa.

— Pai, Desculpe, fui um estúpido, não sou..

O Pai interrompeu colocando a mão em sua boca.

— Rute venha aqui!! meu filho voltou.!!!

Mas o filho insistiu

— Pai ! ! Eu estava errado, eu insultei você e fiz tudo de errado contra Deus. Não sou mais dign…

Bem nessa hora o Jorge mordomo apareceu com um sorriso no rosto, o Pai gritou interrompendo a fala do filho

—Jorge prepare o melhor banho que você puder na banheira do meu quarto, depois vista ele com meu melhor terno de gala. Rute!! manda teus meninos matar o Cordeiro Gordo, mande alguém comprar carvão, chama os seus primos do samba pra tocar, que hoje vai ter churrasco completo, porque o meu mais novo voltou dos mortos, hoje ele voltou a existir.

O filho em prantos foi levado pelos empregados, os trapos que ele estava vestido jogaram no lixo, chamaram o melhor barbeiro da região para cortar seus cabelos e aparar sua barba.

Enquanto tomava banho deram água e frutas para o filho comer, pois o mesmo implorava por comida. Em seguida ele tentou não vestir o terno que seu pai trouxe da Itália, pois  só usava em festas solene, mesmo assim os empregados insistiram em cumprir as ordens do patrão.

Quando o pai viu seu filho arrumado e limpo chorou novamente, o beijou depois colocou em um lugar de destaque na mesa, o cheiro do churrasco já estava no hambiente.
Os músicos já estavam tocando o repertório favorito do Pai, o filho não estava acreditando em toda aquela recepção.

Enquanto o som rolava os parentes foram chegando a casa ficou cheia.

O mais velho voltava da longa caminhada das terras de reflorestamento, o seu relatório não era dos bons; descobrirá uma praga que estava apodrecendo as raízes das árvores, fora o pequeno foco de incêndio que devastou um terço do setor norte.

De longe viu a fumaça saindo da churrasqueira, viu os carros estacionado no gramado, a casa parecia cheia.

— Eita !!! Tá rolando um Festão — disse um dos funcionários que estava com o mais velho.

Todos começaram a se animar, e apressaram o passo. O mais velho ficou tentando lembrar de algum feriado ou data comemorativa, deixou escapar um sorriso imaginando que deveria ser seu aniversário, porém seu pai não fazia nenhum planejamento antes de o consultar, para toda aquela festa repentina tinha que ter um excelente explicação.
Os outros entraram correndo na casa, o mais velho desconfiado entrou por último, quando viu a casa lotada todos cantando, viu seu irmão mais novo, ao lado do seu pai, o menino estava com um rosto pálido mas feliz.

Aquela cena parecia impossível, começou a morder os dentes e bufar de ódio, saiu da casa bravo batendo os pés, foi andando inconformado, cheio de raiva.

Logo em seguida seu Pai lhe aparece.

— Vamos filho, lá dentro está melhor que aqui. — disse o Pai com carinho.

— Não é Justo isso!, esse menino pediu sua herança antes da hora e saiu pelo mundo, enquanto eu procurei te honrar em tudo que você mandava, tirei as melhores notas, nunca fiquei de PD, trabalhei feito um escravo debaixo do sol, e nem um dia de folga você me deu pra eu curtir com a galera — disse o filho furioso.

— Que isso Abel porque você está assim tão bravo?, Não faz essa careta.

— Agora que esse menino voltou, cansado de gastar o todo o seu dinheiro com as puta, você vai e mata o cordeiro da ceia de natal.

O pai olhou diretamente nos olhos do mais velho e disse: Meu primogênito, meu filho querido você nunca me deixou, tudo que é meu é seu, sempre foi, mas o seu irmão até ontem não existia, ele era um morto sem enterro, e agora ele está vivo, vivo e arrependido, isso exige um comemoração, se alegre também comigo, a família está completa novamente.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Saudades

Cheguei em casa o silêncio era pleno, qualquer ruído vinha de fora, a sala obsorvia e diminuía todo barulho externo, escuto meus passos sobre o piso.

A xícara aínda sobre a mesa da mesma forma que eu deixei antes de sair a quase dez horas atrás.

Como é ruim não ter você!

O quarto feliz cheio de vida, com objetos espalhados e sorrisos por todos lado. Agora estatico, congelado.

Tento me ocupar com alguma coisa que eu não sei o que é, mas a verdade é uma só não sei mais viver sem ter sua companhia.

Sou dependente da sua presença, meios eletrônicos não vão te trazer devolta, vejo o seu rosto em todos os lugares, todas as lembranças se volta para o instante em que te conheci.

Volte a colorir o meu dia com suas duas covinhas.

Sei que você está bem, está tudo certo, mas eu espero ancioso a hora de ir te buscar.

domingo, 22 de outubro de 2017

Um Ponto no Tempo

Um tempo no ponto.

O de todos os pontos, o pior possível; no ponto de ônibus.

É um lugar incrível para se passar o tempo, o pior para se ganhar tempo.

Fico sentado horas a sua sombra, quando realmente preciso dele esse lugar se torna maldito.

No ponto de vista do ponto tudo é passageiro, para o motorista também.

Não existe relação, é só algo passageiro. Um abrigo passageiro cheio de passageiros.

Não lugares de espera a para qualquer momento.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Alfinete diário

Todas as vezes que eu chego no mesmo ponto de ônibus, e vejo que ele está cheio. Eu temo.

Sempre que eu chego no mesmo ponto de ônibus de todos os dias e não tem ninguém nem uma alma viva. Eu temo.

Se eu chego em algum lugar e vejo o rosto familiar que não lembro da onde eu o conheço, não sei seu nome. Eu temo.

Sempre que estou na minha mesa e o meu superior me chama, só eu. Eu temo.

Quando são 22:00 de um Domingo de folga e eu nem vi o dia passar. Eu temo.

Não é um medo como alguém que tem uma fobia, mas são momentos de pequenas tensões, é um frio na coluna de uma alma calejada, que por experiência própria se prepara para qualquer tipo de notícia.

É quase uma premonição de alguma coisa pode acontecer, pode ser boa, pode ser ruim e na maioria das vezes não acontece nada.

Ultimamente tenho bastante disposição para enfrentar esses tremores.

Essas pequenas ansiedade com calafrio só  aparece para lembrar que você está vivo, que você é uma pessoa que comete erros, que se esqueceu do remédio para emagrecer, que tinha algum boleto escondido lá no fundo mais que profundo da caixa de correios, que o lápis sempre quebra aponta quando ele cai no chão, você sempre tem que pôr água na Kombi, não importa se é um erro de engenharia ou falta de manutenção, que é horrível a sensação de não reconhecer um rosto quanto te cumprimentam,  que você precisa confiar de verdade naquele que é antes de tudo.

Enquanto isso ainda estou no ponto de ônibus, o mesmo de sempre, e não aconteceu, as pessoas vem chegando, o ponto vai se enchendo e nada.

Nada mesmo

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Brado Retumbante

Um dia ela chegou quieta, preocupada, com a cara fechada, subiu num lugar alto e começou a gritar!.

Seus berros eram ouvidos por todos os cantos da cidade, em lugares mais periféricos sua voz ecoava tão forte.

Gritava obviedades aos ventos, nas praças, nas ruas, no transporte em escolas e faculdades, todos podiam ouvir. Mas poucos entendiam, quase ninguém compreendia.

Ela continua a gritar, em tom forte, mas pra muita gente seu berro é como um silêncio profundo, o som de sua voz nem incomoda mais.

Eles preferem ouvir a voz desse século, encontram dentro de si resposta para tudo, fogem do que é natural, fazem do que é certo errado, assim se embriagam com seus desejos ocultos, escondem o sofrimentos dentro de suas ideologias.

— Gente louca! Até quando terão prazer de zoar com minha cara!. Vocês me fazem rir quando não escutam o que eu digo!

Ela continuava gritando!

— Será que você nunca vão aprender?! Me escutem! Enquanto há tempo!

— Vocês não percebem que estão errados? Não escutam o que eu digo aceitam minhas sugestões. Assim vocês vão sofrer, vão morrer, serão destruídos por estarem bêbados de si mesmos.

Provérbios 1:20,...

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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Dormindo no Barco

Depois de um longo dia na beira do mar.

O mestre nos disse “preparem esse barco, vamos o outro lado do lago”.

O dia foi magnífico; ele tinha falado com a multidão o tempo todo, nos explicou sobre a história do semeador, que eu ainda estava digerindo e vimos diversos milagres acontecendo.

É uma linda tarde, o sol sumindo no horizonte, o céu escurecendo em tons coloridos, nenhuma nuvem, tudo perfeito para navegação, como quando pescavamos na madrugada.

Alguns outros barcos nos acompanharam, mas já estava escurecendo logo eles sumiram e ficamos  sozinhos no mar, iluminados pelas estrelas. Se tudo ser certo chegaremos perto do amanhecer na outra margem do lago.

Ele está cansado, falou o dia inteiro debaixo do sol, as vezes me pergunto da onde ele tira tanta energia? Como ele pensa em tantas coisas? Como tem resposta para tudo?.

Me encostei numa posição confortável para tirar um cochilo, João está atento observando o mar.

— O que foi? — perguntei.

— Você está sentindo esse vento gelado?,

— Normal, estamos no mar, está de noite.

— Não sei, mas o vento está muito forte.

João acabou de dizer essas palavras, sentimos a noite ficar mais escura, olhamos para o céu é não vimos mais as constelações nem mesmo a lua. Em pouco tempo o vento começou a ficar mais gelado e o barco a balançar com solavancos cada vez mais fortes.

A escuridão era quase total, o barco começava a balançar mais forte.

— já estamos em alto mar, as ondas estão ficando forte.

— Pois é João tenho quase certeza que estamos entrando numa tempestade.

Acabando de dizer isso, escutamos um trovão forte estremecer as tábuas do barco, vários raios nos iluminaram como um flash numa foto no escuro (se soubéssemos o que um Flash).

Em pouco tempo a chuva começou a despencar do céu, as gotas batiam com tanta violência na pele que dava para ouvir o estalo.

Os raios eram constantes mesmo sem os trovões, era difícil trabalhar assim pois a cada raio ficávamos cegos por alguns segundos.

O barco chaqualha tanto que escutamos suas tabuas rangerem; um raio em especial iluminou uma parede de água vindo em nossa direção, assustado me joguei no chão e sentimos o tapa de água, como se tivessem atravessando uma cachoeira. Depois disso ficou difícil ficar deitado com o rosto no chão, tinha uma piscina no convés, foi quando eu me senti mais leve, um outro raio iluminou, vi João agarrado no mastro como se tivesse voando, quando olhei para proa e vi o oceano lá embaixo a uns 10 ou 5 metros, mais uns raios iluminaram por um instante a enorme onda em que o nosso pequeno barco estava, bem no topo dela, a descida for tão desconfortável que me deu cólicas, por alguns momentos pensei ter saído do barco, porque não consegui me agarrar em nada.

Cai de costa na chão, vi alguém em vão tirando a água do convés gritando alguma coisa, o som da tempestade no mar era assustador, pelo balançar do barco sabíamos que a qualquer momento as tábuas poderia se romper em vários pedaços.

Quando vi a figura de um homem deitado dormindo com a cabeça numa almofada improvisada, dormia um sono pesado, estava todo molhado. Pensei “como consegue dormir com esse barulho?”.

Então decidi que iria acordá lo, se outra onda gigante daquela bater na gente esse barco quebra, então estaremos à deriva no mar.

Caminhar era impossível, muitas ondas pequenas se chocavam nas laterais do barco, muitos objetos boiando no convés me derrubavam toda vez que tentei ficar de pé.

Escutei um ruído de madeira quebrando, no meio de todos os barulhos reconheci voz de João gritando de desespero, eu nunca tinha presenciado o mar tão agitado dessa forma, não dentro de um barco, dentro da tempestade, nunca tinha ouvido homens clamarem por suas vidas.

Fui engatinhando como uma criança, até ele, me agarrei em seu corpo até o barco votar da sua inclinação, outro solavanco e mais água no convés, agora estava no meio da canela, fiquei tão assustado, nunca estive num naufrágio.

Temendo pela morte gritei o mais alto e forte que pude, balancei-o até que ele acordasse.

Ele se levantou assustado, gritou.

— O que foi?

Na quela altura da tempestade minha resposta foi uma indignação com sua pergunta

— Como assim “o que foi?”. Estamos afundando! Vamos todos morrer! Você está dormindo e nem se importa com agente!

Depois de dizer isso um raio trouxe um clarão, vi seus olhos inchados de sono, ele balançava a cabeça em forma de reprovação.

Então levantou seus braços, deu as costas pra mim, mesmo com o barco balançando ele ficou em pé sem apoio.

Apesar dos ruídos da tempestade, nossos gritos de desespero, e os trovões. A sua voz soou nitidamente.

— Mar ! Tempestade! Raios! Trovões!, Parem agora! Fiquem quietos!

No mesmo o instante o barco ficou imóvel como se estivesse ancorado em terra firme. As estrelas começaram a surgir uma a uma, por fim a lua, iluminando o mar até o horizonte, a tempestade e as ondas desapareceram quase que instantaneamente, nem mesmo o vento era visível na pequena bandeira ponta do mastro.

— Que absurdo a fé de vocês, é quase nula! Vocês pensaram que iam morrer? Homens de pequena fé.

Ele ainda pegou sua almofada encharcada, espremeu um pouco depois arrumou, deitou na mesma posição, e logo voltou a dormir.

Nunca tinha visto o mar tão calmo, parado, sem nem uma brisa.

Era uma noite muito agradável, ficamos tirando a água do convés, não conseguimos dormir espantado com esse homem, que até às forças mais brutais da natureza o obedece.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Pensando

O que você pensa que eu sou?
Se não sou o que pensou.

Pensou que você o que?
O que que você,... você pensa?
Se pensa sou que você é?
Logo não existo no seu pensar.
Se você pensa que eu sou o que você pensa que você é.

Então você pensa que sou outro eu que não sou eu, mas que para você é, mas não sou eu de verdade.

Se isso acontece é porque você pensou que eu não sou quem eu sou mesmo, mas viu em mim quem você pensou, que não sou o que você pensou que eu sou.

Alguma coisa está errada, para eu pensar que você pensou que eu sou outra pessoa que não sou eu.

Quantas outras pessoas pensam como você que pensam errado sobre mim?

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sem Nada

Como é bom não carregar um peso.

Principalmente se o peso em questão estava te machucando; principalmente quando você joga bem longe para não se lembrar de como essa carga era. Mesmo não reconhecendo a quantidade de responsabilidade que eles tem sobre esse peso, me livrei logo que entendi que era uma questão de sobrevivência.

Não importa se é justo ou necessário, não importa nada depois que se sente o alívio.

Dependendo do peso você só retira algumas partes, porque assim fica mais leve, a agradável sensação de conforto é momentânea, você precisa tirar tudo, tudo mesmo.

Eu sei que é difícil: é incoveniente, é um saco, você já fez sua parte, não depende de você.

Mas se você for esperar pelos outros, por mais óbvio que isso seja, sempre vai ficar com um pedaço daquele peso, peso inútil, ou confortável.

Têm pesos que são tão delicado que você nem lembrava que estava levando, esta escondido em lugares que não queremos voltar, num cantinho escuro no sótão empoeirado, dentro de uma caixa velha, dentro duma lata enferrujada, embrulhada num saco de pão, está lá, todo mundo tem um peso desses.

A escolha é sua, ou você esquece e vive assim carregando alguma coisa, mesmo que pequena e leve, ou você joga fora de vez! Faz aquela faxina geral e coloca as coisas no lugar.

domingo, 13 de agosto de 2017

Moradas

Sabe! Ultimamente algumas coisas estão me assustando?.

A falta de dinheiro, as contas, o básico não adquirido, a vida miserável em procura de significado, o medo de virar cachorro para reconhecer quem é que está no comando.

O Stresses, as reclamações, o excesso de trabalho, escolhas erradas, o tempo em família perdido.

Em meio a tudo isso vem uma voz doce e suave que me diz:

– Não! Não é aqui meu filhinho, a aqui não é o seu descanso, você não é desse lugar, não seja como eles são.

– Mas como vou viver sem….

– Você não é daqui, você é um forasteiro, sorria e saiba que eu consegui vencer, então continue. O que você acha que conhece não é nada, esse lugar da onde você é,  existe, e é melhor do que você pode imaginar, falta pouco para gente se encontrar, e tudo o que está acontecendo não é nada. Você não é um terráqueo, seja como tal, seja Luz.
..

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Deslocado

Num bairro nobre, uma area mista, cheio de predios residencial e muitos corporativo. Naquele bairro as melhores e maiores empresas do mundo tinham uma sede, ou pelo menos mais de uma filial, todas as agências de bancos, toda esquina um restaurante, bar, pub, algum serviço muito específico.

Num lugar que atraia a população de vários cantos da cidade, o horário de almoço era facilmente confundido com alguma manifestação devido a quantidade de pessoas na rua, nas calçadas, escritórios e filas de espera, um mar de gente saindo do metrô.

Ele estava lá, sozinho, num ponto de ônibus, em plena sexta feira, as 20 e tantas da noite. A vida noturna extremamente interessante começa a brotar num bar ao lado, na calçada em frente ao bar, junto as mesas, um violão folk tocado por um vocalista escocês, um outro membro do grupo usa um acordeon para acompanhar a música que envolve o hambiante, pessoas semi bêbadas esbanjam sorrisos ao balanço da música.

Tudo seria ótimo, perfeito, se não estivesse parado num ponto de ônibus, aguardo a única linha que passa naquele rua, o ônibus que só passava nunca.

Todos os olhares lhe diziam: “Ei o que você faz ai parado esperando por alguma coisa?, Ei cara você está desarmonizando minha noite.”

Ele queria estar fazendo qualquer coisa, mas não podia, dependia uma coisa que poucos naquela calçada sabia o verdadeiro significado, Transporte Público.

Enquanto isso a vida seguia sem ele, e em volta dele, enquanto ele não vinha.

Ele preferiria estar fazendo qualquer outra coisa, mas primeiro o ônibus tinha que passar primeiro.

Enquanto isso não acontecia nada, nada aconteceria.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Capacitação de Competência

Eu estava terminando de verificar se todas as canetas estavam alinhadas uniformemente de uma maneira eficiente.

Uma moça bem vestida, (social demais para uma Sexta feira) parou em frente minha mesa.

— o Sr Estelo está te chamando na sala dele!

Era a minha promoção, era o reconhecimento, era resultado de tanto esforço e trabalho, e dedicação, e empenho, e alinhamento, empreendimento, e, e...  não me lembro de outro adjetivo com conotação gerencial corporativa no momento.

Comprimentei a secretária por ter vindo até a minha baia me avisar, levantei e fui o mais rápido e elegante que pude. Chegando na porta da Sala do gerente vejo um sonho se realizando, as portas do sucesso profissional foram abertas, a chave esteve o tempo todo na minha mão, eu posso ver o sucesso chegando, atrás dessa porta.
A Gerência pra mim é só um degrau, meu lugar é a presidência, a sala da Gerência da Gerência, “Aquele que manda em tudo”, um lugar onde só os vencedores entram, e eu sou um deles.

Ao tocar na maçaneta é possível perceber que a temperatura padrão da sala do Dr Estelo é 17°C, já apelidaram essa sala de “câmara fria”, um piada sem graça com traços positivo de sua personalidade marcante e sua fixação por ar condicionado, típico  de um gerente padrão.

Entrando na sala do gerente sinto o choque térmico, Realmente a temperatura é mais para -17°C do que apenas 17°C. Ele está lá sentado, fazendo o que os gerentes fazem, gerenciando.

— Moisés ! Bom Dia.
— Sr Estelo, Bom Dia, eu sou o Matias.
— Matias? Será que minha secretária chamou o cara errado?
— Acredito que não, não tem nenhum Moisés no meu setor, mesmo assim lá sou o único  que o nome começa com a letra M.

— Só um momento deixa eu conferir.

Enquanto ele procura alguma coisa em seu notebook, reparo nos detalhes da sala de um gerente. Uma longa prateleira cheia de fotos de pessoas felizes, quadros de certificações; Ual!! o Sr Estelo é avançado em “Corte e costura artesanal”, quanta experiência não tem um gerente desse nível?

— Certo Moisés, fique a vontade, se preferir eu desligo o ar?
— Não precisa Sr Estelo está tudo bem, mas eu me chamo Matias.
— Só um momento, você  é o cara que trabalhou para Sr Costello ?
— Não, esse  é o Oséias, ele é um dos “colaboradores" mas antigos.
— Então você é o Matias?? — falou isso enquanto mexia em algumas folhas por cima da mesa, espalhando muitas outras pela mesa inteira, até encontrar uma folha, ficou lendo ela durante algum tempo, segurando em frente ao seu rosto.

— Bem agora eu entendi, agora me lembro porque você está aqui.

Deixei escapar um sorriso de ansiedade, meu coração está quase explodindo de tanta emoção.

— O que eu tenho para te dizer não é uma coisa simples, mas a empresa esta passando por transformações, estamos implantando algumas diretrizes novas, todos os setores serão avaliados a cada 3 meses.
— Sim eu sei Sr Estelo, eu faço parte da comissão voluntária de implantação desse novo conceito de avaliação.
— Fazia… bem certo… é como eu dizia, talvez você já saiba, que temos uma avaliação individual! é um teste vocacional voltado para os interesses da empresa.
— Sim eu sei disso, como eu me sai nesse teste?.
— Na verdade a sua nota de classificação de competência foi muito boa, foi excelente.
— Eu sabia!!!!
— Bom até demais para as necessidades das empresa.
—  E  isso significa que ...?
— Que você está sendo demitido!

Essas palavras entraram no meu tímpano estourado como granadas nas trincheira da 2° guerra Mundial, tinha pedaço de sonhos mutilado por toda parte.

— Sr Estelo não é possível, eu sou a pessoa certa para contribuir para o futuro dessa empresa.

— Não é isso que o resultado do seu teste individual disse.

— Não é possível, isso é um erro, não tá certo!

— Calma rapaz, que desespero é esse? Pessoas são demitidas o tempo todo em todos os lugares por diversos motivos.

Eu sempre gostei dos trocadilhos e analogias do Sr Estelo, mas agora que ele está usando comigo vejo que não tem a menor graça, beira o ridículo.

— Mas se eu mandei muito bem no teste eu deveria ser promovido não ser demitido.

— É exatamente esse tipo de atitude que o teste mostrou que você tem.

— Qual foi o resultado final do teste?

— O teste provou que ter um funcionário no seu perfil é um prejuízo..., prejuízo não qual foi a palavra?

Então ele procurou na bagunça que estava sobre a mesa e pegou uma outra folha.

— É um Desperdício de recurso de capacidade.

— Mas isso não é bom, ter uma pessoa tal capacidade?

— Sim nós procuramos os melhores funcionários, mas não os excepcionais, veja vou ler um trecho da recomendação:

“Funcionário com excesso de proatividade, extremo conhecimento de todas as funções e capacitado demais para a sua atual função”

RECOMENDAÇÕES:

Tendo em vista as médias das avaliações de todos os funcionários e gerentes, Recomenda-se em 100% de certeza de Demissão por excesso de Capacidade, pró atividade e competências. A não Demissão pode gerar desperdício de intelecto humano, futuramente uma não identificação pode gerar processo trabalhista, pois o mesmo tem capacidade de sobra para acúmulo de funções, além de auto desmotivação que pode levar abaixo todo um setor.

— Vocês estão me demitindo por ser muito bom e capacitado, eu poderia ser seu chefe.

— É isso mesmo você compreendeu bem, você é um ponto fora da curva, não se encaixa no padrão de qualidade, você como gerente iria desamonisar a empresa. Alguns pontos positivos é bom, muitos é inviável. Que bom que você entendeu rápido.

— Não! Que absurdo, eu não aceito isso, não depois de tudo que aconteceu.

— Olha Oséias…

— É Matiass!

— Tanto faz, esse nomes dá Bíblia.

— Como você, que nunca se formou, que não sabe o nome dos seus funcionários, como você pode ser Gerente?

— Eu não inventei as regras, o meu teste deu positivo para a minha atual função.

— Tem alguma coisa errada, eu investi muito tempo aqui, nessa empresa. Eu preciso falar com o…

— Falar com quem Moises? eu sou a única pessoas do alto escalão que você tem acesso, eu recebi ordens sobre o resultado desses testes, e você é um dos que não cabe nesta empresa, pode se retirar, arrumar suas coisas e passar no RH.

O meu mundo estava no chão desmoronando, completamente falido.
Sai da sala chorando aos prantos, triste, sentindo o gosto azedo do fracasso. Sentia vontade de explodir. As lágrimas molharam as folhas o teclado e a minha mesa.

Fiz toda a peregrinação nessessaria para um deslizamento, ao sair pela porta, contemplei o prédio, chorando a minha perda, ao menos eu era bom de mais

Eu era muito bom para vencer na vida.

domingo, 11 de junho de 2017

Dia dos Namorados



Alguém falou de escolhas.
A impressão que eu tinha antes era de uma infinidades de possibilidades, como se fosse um sorteio aleatório, uma reação em cadeia de vários fatos e escolhas, tanto para mim como para minha futura namorada. (Talvez seja um pouco disso).

Então num mundo com mais de 7 bilhões de pessoas, numa cidade onde você cruza todos os dias com mais de 500 pessoas diferentes que você teve a chance de ter algum tipo de relação mínima.
Sabe eu pensei que bastava ela estar num dia propício e nesse dia se encontrar comigo e começar a fagulha que mantém os casais juntos eternamente. Ela poderia estar do meu lado.

Hoje em dia algumas pessoas deixam as possibilidades abertas, aproveitando todas as oportunidades que tem de ficar com alguém em algum nível. Não percebem que estão aperfeiçoando a superficialidade de suas relações. Assim tornando tudo mais prático e sem profundidade, mas isso sou eu falando do lado de fora, observando como os outros jovens se relacionam entre si.

Todas as teorias perdem sentido quando no meio de uma multidão um olhar específico encontra seu campo de visão, todas as lógicas deixam de ser quando acontece aquele momento perfeito, insano e inexplicável.
Então concluo que não era um sorteio, não era qualquer uma, sinto que sempre foi ou sempre seria ela, não importa todas as outras possibilidades, não importa a minha ou as escolhas dela. (Em todas as realidades paralelas que acontecem quando pensamos escolher de maneira diferente se convergem para nosso encontro).

Não sei você, mas no meu caso foi assim, se não a encontrasse naquele dia seria em outro, em outra época, antes ou depois do dia D. Talvez seríamos pessoas diferentes​, mas tenho certeza que ambos reconheceriam que esse era o final da história, o fim de nossas vidas solitárias, e começaria uma nova vida compartilhada entre dois, que formam uma unidade perfeita.

Aí você me diz: “A mas não é sempre às mil maravilhas?”.
Então eu te respondo: É dia dos namorados! O nosso amor é lindo!
Lamento ser uma pessoa que comete erros, mas quando eu a vi pela primeira vez eu disse Sim; sim no meu coração, sim para ela e toda sua história e talvez algumas de  imperfeições. Eu a amo de qualquer jeito.

Te amo Michele, Amo dividir a minha vida com você.

sábado, 10 de junho de 2017

Fones in My self


Meus fones de ouvidos são muito importantes, são a minha  blindagem contra a realidade a minha volta, contra poluição sonora, contra tudo que se move.

Com eles o meu mundinho particular imaginário fantasioso; ou não, vem a existir, é quase uma realidade paralela livre da ditadura da posição global; que insiste em definir geograficamente a onde as coisas ficam (ou onde estão, ou onde deveriam estar).

Tudo e todos passam despercebido, até mesmo a música tocada em meus ouvidos se tornam um silêncio isolante, selando esse mundo misterioso.

Em algumas vezes me perco dentro de um pensamento profundo e até mesmo o tempo fica distorcido quanto tento me achar onde eu estava quando entrei pela porta da imaginação e fui para uma viagem sem fim entre um milésimos de silêncio que separam uma batida de outro acorde ritmado num contratempo de um compasso descontinuado dentro de uma escala de uma nota qualquer, que qualquer um chamaria de ruído, mas um especialista chamaria que arte.

Quando reconheço a música tenho que voltar, voltar desse profundo mergulho, onde os raios do “Sol da sanidade” não penetram, tenho que subir para diminuir a pressão da profundidade desse oceano de pensamentos perdidos e repentinos, tenho que sair do modo “hibernar”, ligar a consciência e todas as funções que me mantém em pé, então o mundo volta a rodar, as pessoas em minha volta voltam a existir, o aço volta a ser fundido, resfriado e usinado para depois ser parafusado como corrimão num vagão do Metrô; perto da saída do ar condicionado; o que faz essa parte do corrimão ficar muito mais gelado do que comum, que deixa uma impressão refrescante quando você toca nessa parte resfriada num dia quente.

Tudo em volta cria se cor, forma, nomes, objetivo  e personalidade. Pronto estou vivo novamente em um lugar real, de pessoas reais onde qualquer coisa em minha volta pode me afetar ou não.

Então aperto o botão de votar a música, para que eu a escute novamente, a música que eu já estava escutando, porém não ouvindo.

Nessa hora toda a realidade se desfaz novamente, eu começo a me auto encolher até que só exista eu e o meu fone, os dois dos mesmo tamanho, uma pausa de silêncio para entender se foi eu que diminui ou se o fone que cresceu, mas logo lembro que não importa o que tenha acontecido; ou se aconteceu os dois, estou aqui para ouvir essa música.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

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Cansado de esperar, Cleano sai dali e sobe uma escada abrindo uma escotilha que dava numa extremidade da sala de comando, então ele sentou numa mesa e resolveu mexer num computador que estava ali perto, sentou-se e viu a tela de descanso que exibia uma miniatura da “Spetro Solar” em 3D girando, ela piscava e mudava de posição na tela, do canto superior esquerdo girava, logo depois se apagou e voltou para o meio da tela, depois de girar bastante foi para o canto inferior direito

Cleano mexeu no mouse, no que parecia ser um, pois era uma bolinha que cabia na palma da mão fixada na mesa.

Ao tocar apareceu a tela preta com o cursor branco piscando, no topo da tela, ao que parecia ser a primeira linha, tocou no desenho de um teclado fixo na mesa e as letras apareceram na tela.

Apertou o ENTER (na verdade tocou no desenho  da tecla ENTER, era como se o teclado fosse impresso na mesa) as letras sumiram e a tela continuava com o cursor piscando.

Como Cleano trabalhava com tecnologia se sentiu no direito de aprender a usar mais uma ferramenta. Procurou combinar algumas teclas para ver o que acontecia, ou pra tentar habilitar a parte gráfica do sistema operacional. Tentou a tecla ALT+TAB depois ALT+F4 ou ALT+F11, viu que nada acontecia, começou a teclar todos os atalhos que lembrava, inclusive usou a tecla entre a CTRL e a ALT, com o logo tipo estranho, depois de várias tentativas frustradas resolveu fazer o tradicional CTRL+ALT+DEL, no mesmo instante na tela pulou uma linha em branco e escreveu duas letras.

HA

Tentou novamente o mesmo comando, porém manteve as teclas CTRL+ALT pressionadas com a mão esquerda e teclou o DEL duas vezes com qualquer dos dedos da mão direita.

Então no computador pulou outra linha e escreveu

HAHA.

Aquilo parecia muito estranho como se o computador estivesse rindo dele.

Em seguida Cleano resolveu digitar um comando antigo que se lembrará, escreveu DIR depois deu enter .

Na tela se completou uma linha inteira de HAHAHAHAH​AHAHAHAHAHAHA

Em seguida pulou uma linha e apareceu.

QUE RIDÍCULO!, VOCÊ VOCÊ QUIS DIZER “SL”?

Ao Ler a mensagem Cleano ficou tão confuso que disse um “NÃO” em voz alta, na mesma hora apareceu uma linha escrito.

ENTÃO QUE MERDA VOCÊ ESTÁ TENTANDO FAZER COMIGO?

Cleano leu a próxima frase e ficou pensando por alguns instantes, confuso disse em voz alta:

— você entende comando por voz.

Na tela surgiu a seguinte frase em caixa alta.

SIM, É ÓBVIO, A MENOS QUE VOCÊ NÃO PERMITA.

— Se você aceita comando de voz e escuta o que eu estou falando porque tem teclado e mouse?.

PORQUE OS HUMANOS SÃO ESTÚPIDOS.

Cleano não estava acreditando que um computador estava ofendendo,  ou pelo menos tentando.

— Que tipo de computador você é?

DO TIPO QUE IMPEDE OS HUMANOS DE FAZEREM ESTUPIDEZ.

— Se você aceita comando de voz porque só me responde por escrito?

QUE IRRITANTE!

Logo depois apareceu a tela de descanso novamente.

— Isso é algum tipo de piada?

NÃO, NÃO TENHO SENSO DE HUMOR PARA PIADAS.

Depois voltou a apresentar a “Spectro Solar” girando pela tela.

Cleano se levantou da cadeira, pensando ter sido ofendido por um computador que não sabe fazer piada, deu as costas para a tela apareceu o um Emoji de uma mão fechada somente com o dedo Médio levantado.

Quando Cleano fez algum movimento voltando a olhar para a tela, no mesmo instante voltou a exibir a tela de descanso, com o objeto 3D girando.

Logo desistiu de adquirir conhecimento técnico sobre aquele software, afinal de contas era tudo tão confuso quanto natural para ele a essa altura.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

MaturiDade

Você  já viveu muito mais do que sua expectativa de vida

Difícil dizer alguma coisa pior que isso para uma pessoa de 90 anos .

Isso que ela já ouviu muita coisa ao longo da vida.

É a mesma coisa de dizer que: você não morreu ainda?  Não?? Parabéns!! A qualquer momento pode ser sua hora!, sente e descanse até que a morte venha te levar.

Como aceitar essas palavras?.

Como ouvir isso?.

Imagine que de todas as pessoas que conheceu em sua juventude, irmãos, primos, amigos da escola, ou companheiros do exército, suas vizinhas, a maioria deles já se foram, você é o único ou um dos poucos que ainda está vivo, vivo e consciente disso.

Como escutar que pelo resto (do pouco que ainda sobra) da sua vida você receberá tratamento a base de vários remédios, com uma enorme restrição para alimentos e emoções?

Nunca se é velho o bastante para ouvir que se pode morrer a qualquer momento.

Não tem experiência o bastante para entender que é um dos últimos da sua geração que ainda não se foi.

Como viver sabendo que estatisticamente era pra estar morto?

Como viver sabendo que seu corpo está falindo, como uma máquina velha sem manutenção e teimosa, que a qualquer momento pode te parar?

A morte vem lentamente, mostrando seus sinais, te cobrando todos os seus exageros, até te carregar por completo.

É fato que a morte pode nos visitar a qualquer momento, qualquer um de nós.

A não existência nos assusta, o extinto da eternidade grita mais alto no interior de nossas almas.

Portanto, vá em frente!!

Coma com prazer,  beba alegremente o seu vinho, pois Deus já aceitou com prazer o que você faz.

Procure sempre parecer feliz e satisfeito. Enquanto você viver neste mundo de ilusões, aproveite a vida com a mulher que você ama. Pois isso é tudo o que você vai receber pelos seus trabalhos nesta vida dura que Deus lhe deu.

Tudo o que você tiver de fazer faça o melhor que puder, pois no mundo dos mortos não se faz nada, e ali não existe pensamento, nem conhecimento, nem sabedoria. E é para lá que nós vamos.

Eclesiastes 9:7‭-‬10

Então os seus braços, que sempre o defenderam, começarão a tremer, e as suas pernas, que agora são fortes, ficarão fracas. Os seus dentes cairão, e sobrarão tão poucos, que você não conseguirá mastigar a sua comida. A sua vista ficará tão fraca, que você não poderá mais ver as coisas claramente. Você ficará surdo e não poderá ouvir o barulho da rua. Você quase não conseguirá ouvir o moinho moendo ou a música tocando. E levantará cedo, quando os passarinhos começam a cantar. Então você terá medo de lugares altos, e até caminhar será perigoso. Os seus cabelos ficarão brancos, e você perderá o gosto pelas coisas. Nós estaremos caminhando para o nosso último descanso; e, quando isso acontecer, haverá gente chorando por nossa causa nas ruas. A vida vai se acabar como uma lamparina de ouro cai e quebra, quando a sua corrente de prata se arrebenta, ou como um pote de barro se despedaça quando a corda do poço se parte. Então o nosso corpo voltará para o pó da terra, de onde veio, e o nosso espírito voltará para Deus, que o deu.  É ilusão, é ilusão, diz o Sábio. Tudo é ilusão.

Eclesiastes 12:3‭-‬8

terça-feira, 30 de maio de 2017

OUT VITRO

“O futuro pertence a Deus”.

O futuro é incerto e instável, o futuro muda sempre com cada atitude cada ação, sentimento, passo, sorriso ou um olhar.

O futuro é uma gelatina em forma de pirâmide, num prato de plastico, agente segura de  todas as formas para não deformar, mas cada passo ela muda e balança.

É assim o futuro, uma gelatina sem forma se deformando o tempo todo.

Nunca tomamos uma decisão com base no futuro, não agimos assim, o futuro de glória ou de desgraça estão mais próximo do que você imagina, esses dois futuros se misturam e confundem com todas as cadeias de possibilidades de um sim ou não.

Só existe um lugar firme e sólido para apoiar o pratinho de gelatina em forma de pirâmide, Mas a humanidade nunca encontrou de fato, do contrário não teria chegado a beira da extinção, embriagado em suas próprias ideias e teorias, vitimas de suas descobertas.isso  já quase aconteceu várias vezes.......