domingo, 12 de maio de 2024

O poder de Criar vida.

O poder divino de criar a vida é uma dádiva exclusiva concedida à "Mulher" (cromossomos XX).

Num mundo repleto de desafios e incertezas, há uma luz que brilha constantemente, irradiando amor, coragem e dedicação: o coração de uma mãe. É um dom divino, o poder de gerar vida, de moldar o futuro com cada batida do seu próprio coração. 

Cada ser humano que caminha sobre esta terra, cada sonho realizado, cada conquista alcançada, é um testemunho do amor incondicional que flui de vocês, mães, dos milhares de úteros que deram forma a cada história de vida. Vocês são os arquitetos do amanhã, as guardiãs dos sonhos que ecoam através das gerações (assim como Assim como “Sarah Connor” fez em “Terminator”)

Na jornada da maternidade, há momentos de glória e momentos de desafio, lágrimas de alegria e sorrisos de cansaço, mas em cada instante, vocês são a essência da força, da perseverança e do amor inabalável. Sempre se entregando, não apenas nos nove meses, mas ao longo de toda a vida, dedicando-se integralmente aos filhos, mesmo que no crepúsculo de suas vidas reste apenas um eco de carinho e saudade.

Mães, vocês são os pilares da nossa existência, os faróis que nos guiam na escuridão, os anjos que nos abraçam nos momentos de dor. Seu amor é a cola que une os pedaços do nosso mundo, a melodia que embala nossos sonhos mais profundos. 

Neste dia especial, celebramos não apenas a maternidade, mas a dádiva de ter vocês em nossas vidas. Cada lágrima derramada, cada riso compartilhado, é uma ode ao amor eterno que nos une.

Obrigado mãe pela vida, obrigado vó Vaninha por tudo, vocês foram matriarca de uma era, as verdadeiras heroínas das nossas vidas.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Tão Pouco

Falta tão pouco, que o pouco utilizado "pouquíssimo" cabe aqui.  
Falta tão pouco que não vale a pena desistir, correr, fugir.  
É uma lógica simples, depois de tudo que aconteceu, todo esse sofrimento.  
Abrir mão do que lutamos tanto tempo para conseguir não faz sentido.  

O que são 6 meses, 2 meses, um ano ou 5?  
O que é essa fração de tempo para quem não inicia nada e não tem perspectiva de fim?  
De fato, iniciar qualquer coisa não é fácil, concluir parece ser impossível.  

Impossível seguir em frente quando tudo tenta te segurar no lugar.  
Não é só uma luta interna de autoestima, medos e outras coisas que a gente finge que não existem.  
É o universo te segurando, pressionando contra o lugar confortável que você sempre esteve.  
Sair do ponto inicial é um esforço maior do que o comum, continuar em movimento então é uma impossibilidade comprovada.  

Nesse caminho tantas quedas, com os joelhos expostos em carne viva, sentindo uma dor inédita a cada passo.  
Já engoli tanto sapo que acostumei com o sabor; sempre dá aquela ânsia de vômito quando a gosma da pele verde do anfíbio passa pela garganta.  
Hoje em dia, engulo mais rápido que um refrescante copo de água.  
Já ultrapassei o limite do aceitável e me perdi dentro de mim, como uma rachadura no crânio me vejo sangrando em frente ao espelho.  
Quebrado, vazando, mas seguindo, por quanto tempo? Não sei!  

O que sei é que falta tão pouco...
Tão pouco...

Pouquíssimo, tão pouco.
O medo e as incertezas ficaram para trás; não porque as superei, eles estão lá e aqui de mãos dadas me obrigando a olhar para trás, segurando no meu pé às vezes escalando pelas costas, fungando seu cheiro de podre em minha nuca. Mas eu sei o sabor desagradável das costas asquerosas do anfíbio cru, sem sal. Ignoro e continuo fazendo o impossível ser real, quebrando a razão, todo quebrado por dentro (Sentir-se inteiro é um artigo de luxo). 

O esforço é para carregar dois; eu e as coisas que me puxam para baixo, até o próximo passo, com fortes dores no ego, tendo que reconhecer o que está errado, assumindo erros dos outros, me disfarçando de derrotado, num jogo de cintura sem fim.

Apesar de faltar pouco; sim é incrível como estou a poucos metros da “Chegada”. O impulso inicial não para, quando concluir e não ter que degustar o sebo das entranhas de sapo, finalmente poder gritar “consegui!”. A chegada é só mais um ponto de partida para outros objetivos, outras ideias melhores. 

O impulso inicial não para. Agora porém o corredor não é mais o mesmo, a jornada lhe deu músculos, resistência, coragem, "impaciência" e o principal: que é um hábito natural de ver as coisas se movendo, seguindo em frente, como um passageiro em um vagão observando a paisagem passar, o impulso inicial ainda está lá, fazendo o impossível existir, agora não dá para viver parado, outras coisas maiores virão e destinos mais longos além do horizonte virão.
É uma corrida de um homem só.....
... .... .  ........

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Que data querida

Hoje completa mais uma volta em torno do Sol.
Mas uma oportunidade de pensar, refletir em tudo que aconteceu no último ano, como as coisas estão andando, tudo saiu como planejado? Tinha alguma coisa planejada?
É claro que há motivos para comemorar, é sempre uma data feliz, mas… …e se fosse a última vez?
Poucas pessoas com menos de 50 anos fazem essa conexão, mas todos os dias, especialmente no aniversário, apontam para um momento específico em que a vida se confronta com a inexistência.
E se fosse hoje? Se soubesse que hoje seria o último dia, preferiria não conhecer os detalhes, nem a hora do óbito. Apenas viveria como se fosse o último dia único.

***

Feliz último dia! 
Acordaria feliz da vida respirando o ar mais puro e único que já existiu, estranharia a leveza deixada pela falta de preocupação com as dívidas, os boletos e cartões de crédito seriam Palavras sem significado. 
O ar gelado da manhã enchendo os pulmões, apesar do calor e do sol intenso, sentir que isso é possível é tão prazeroso que vale a pena o incômodo, (caro leitor se você não vive na zona tropical desse planeta, não sabe quanto o calor é um incômodo).

Um banho gelado seria tomado bem demorado, deixando a água entrar pelas narinas, a sensação e o cheiro do cloro evaporando dentro do nariz remetendo aos dias de infância, num parque aquático, numa piscina ou até um banho de mangueira, uma época onde éramos felizes com pouco.

 Iria fazer algumas obrigações diárias pela última vez, devagar, degustando cada momento, faria o mesmo serviço que faço todos os dia, como um dia comum, pois hoje para a maioria das pessoas do planeta Terra é só mais um dia comum.
Faria tudo isso com um sorriso no rosto, um sorriso de despedida, um sorriso de quem está curtindo cada micro acontecimento, apreciando os últimos diálogos com quem eu gosto de trabalhar, tentando imaginar a reação deles no dia seguinte, faria o mesmo com aqueles que eu detesto trabalhar, ali uma última oportunidade de reconciliação se for o caso.
Perderia um bom tempo olhando para o Céu, não importa o que isso fosse custar, subiria em um local alto para ver o por do sol, admirando o céu escurecer, mesmo que para isso tivesse que abandonar o serviço mais cedo. Sem nenhuma explicação sairia como se fosse o dono da empresa.
Ficaria próximo das pessoas queridas, seria maravilhoso se todos estivessem presentes no mesmo lugar.

Depois de outro banho, uma bela refeição, uma boa lasanha ou macarrão à bolonhesa, finalmente dormiria satisfeito. Um dia comum e simples, um último dia leve e feliz. Aguardaria meu destino, tranquilo por ter feito o melhor possível, dormindo profundamente sem acordar jamais.

Uma parte de mim deseja muito fazer isso! 
Mas tem uma outra parte que faria totalmente diferente, um “Eu” mais cínico e cruel.

***

O último e infeliz dia!

Acordava gritando anunciando para toda vizinhança que hoje era meu aniversário, soltaria um belo palavrão gutural para assustar as senhoras desavisadas que tem um louco na sua rua. 
Faria uma fogueira no quintal com todos os cartões de crédito, boletos e documentos tudo que trouxesse lembranças ruins da vida de adulto.
Viraria de uma só vez duas latas de cerveja bem gelada; aquelas lá no fundo da geladeira, só para começar a comemorar. 

Correria para o trabalho, sendo o primeiro a chegar, só para ter a oportunidade de ofender o meu chefe, quem sabe até dar um soco na cara dele. Apreciar a reação dele sentindo o sangue escorrendo pelo nariz.

Gastaria todas as minhas economias e crédito restante para fazer uma festa, um churrasco entre parentes e amigos. Uma festa para durar a noite toda, numa casa enorme com uma piscina, contratando até bandas de garagem para tocar minhas músicas favoritas.

Em determinado momento, contaria todos os pequenos segredos que sei, de cada parente. Não morreria com esses segredos. Contaria para minha mãe todas as vezes que ajudei a encobrir as escapadas da minha irmã mais velha para as baladas. Finalmente, revelaria para o meu primo quantas vezes sua ex-namorada o traiu, entre outras confissões, só por pura diversão, diria a todos exatamente o que eu penso e sei de cada um, mesmo que fosse uma coisa boa ou ruim, eles iriam entender na manhã seguinte.

Viraria a noite toda festejando, aguardando o momento em que encontraria a inexistência. Receberia a morte de olhos bem abertos, como se fosse um beijo de um casal adolescente apaixonado. Sentiria o coração parar de bater e conheceria qual seria meu último pensamento antes de morrer.

Isso, é claro, se fosse o meu último dia. Haveria uma forma melhor de celebrar um aniversário? Mas, como sei que não vou deixar de existir hoje ou amanhã, tento sobreviver, entre um e outro, sem escolher nenhum dos dois.