quarta-feira, 5 de março de 2025

Acron42


A cidade de Acron42, em um planeta tímido que ninguém mais sabe o nome, foi palco de um caso curioso.

Há uns 200 anos, Acron42 era apenas uma pequena cidade sem sal, com pouco mais de 100 mil habitantes. Logo, a cidade começou a crescer e a fazer sucesso com uma novidade chamada marketing multinível, vulgarmente apelidada de esquema de pirâmide. Os habitantes locais ficaram fascinados com a possibilidade de mudar de vida às custas do trabalho de outros — ou de que os outros fizessem vendas para você. Assim, a cidade foi se expandindo pela mão invisível da livre concorrência.

Conforme as pessoas pagavam para adquirir o direito de vender para outra pessoa o mesmo direito de vender o que compraram, a próxima pessoa poderia fazer o mesmo, e assim sucessivamente. Sempre tinha alguém chegando, agregando, juntando, formando uma equipe, etc. 

Acron42 foi crescendo e crescendo. A cada mês, as divisas se expandiam, bairros novos surgiam, e outros esquemas de marketing multinível atraíam mais pessoas para a cidade. Até que ela ficou enorme — tão grande que Acron42 tomou o planeta inteiro. 100% do solo foi coberto por ruas, casas, condomínios fechados, prédios, lugares de entretenimento, salas de reuniões coworking e encontros de premiação diamante (havia muitos desses encontros, quase que diariamente).

O problema é que, ao longo desses 200 anos de marketing multinível, todos os habitantes da cidade chegaram ao topo da pirâmide. Todos eram nível máximo: Diamante Gold Plus Plus Safira Extrema. Mas isso gerou uma crise: ninguém queria vender perfumes, produtos naturais ou eletrodomésticos — e eles nem precisavam, pois já estavam no nível máximo, sustentado por uma base da pirâmide que não existia mais.

Pior do que uma crise financeira mundial, era uma crise de personalidade. As pessoas começaram a se suicidar por não terem mais para quem se exibir ou como se sentirem superiores. Afinal, todos eram nível máximo do marketing multinível.

Houve uma grande crise na cidade-planeta, e todos tiveram que voltar para os ofícios que tinham antes de tentarem mudar de vida e transformarem o mundo em uma cidade urbana e cruel, que vive a meritocracia como se fosse a coisa mais justa do mundo. Ou era isso, ou morrer de fome em prol de uma ditadura igualitária, onde todos tinham direitos universais igualmente diferentes.

Todo aquele esforço de convencer várias pessoas a comprar um marketing multinível, como um dia alguém se esforçou para te convencer, foi para o ralo.

O esforço mental para se convencer de que aquilo não era um erro, uma furada... E depois, ter a oportunidade única de dar o troco, colocando outros idiotas no mesmo barco afundando. Tudo para nada. Tudo em vão.

A crise que veio foi tão severa que causou uma grande redução populacional — em parte, pelos desesperados que deram fim à própria existência; em parte, por aqueles que fugiram para outros planetas, tentando espalhar a mesma "Praga Multinível".

Hoje, Acron42 voltou a ser um lugar tímido e insignificante.

No entanto, tornou-se requisitado por turistas bizarros, que adoram explorar seus gigantescos bairros fantasmas. Alguns até morrem tentando atravessá-los, numa espécie de safári urbano. Um lugar tão cheio de construções e, ao mesmo tempo, vazio.


A indústria cinematográfica também aproveita, alugando quarteirões inteiros para serem destruídos em filmes de exploração.


Pelo menos, atualmente, qualquer tentativa de vender um esquema de marketing multinível, pirâmide financeira ou qualquer promessa de mudança de vida com pouco esforço é considerada crime.


Vender vendas para vendedores? Vender oportunidades para pessoas venderem oportunidades para outras pessoas venderem a mesma coisa?


Agora, isso é crime, punido com prisão, exílio ou até a pena de morte.


A nova moda agora é outra, alguns influencers estão ficando ricos vendendo cursos online com o seguinte título: “Como ficar rico sem fazer nenhum esforço”.



segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

QuATerésima


Mais um dia comum como todos os outros.

Cartazes exibem os horários de fim de ano: quais dias abrirão, até o meio dia ou fechar mais tarde. 

É tudo mais comum do que se imagina, mesmo parecendo uma novidade, aconteceu exatamente assim no passado, todos os anos se repetem igual ao anterior.

Confortável sigo o meu destino observando a cidade mudando seus horários por causa do fim de ano, ignoro o que está prestes a acontecer, ignoro o tempo diante do meu reflexo, porém vejo as marcas que o tempo deixou.

Vejo as marcas de luta, cicatrizes de guerra, impossível ignorar, é tão óbvio que estampa o meu rosto.

Ainda não desisti. Por enquanto estou aqui.

Agora sei o que quero, ou o que deveria querer. Ter é outra conquista. Se há tempo hábil? 

O que resta é uma contagem regressiva que encurta ainda mais.

Está tudo mudando muito rápido, porém os dilemas são os mesmos, com perguntas diferentes. No fim é tudo tão igual, se repetindo de geração em geração.

Agora chegou minha vez. Por enquanto eu estou aqui.

No final do dia será só mais um dia comum, como outro qualquer, por mais que o calendário não te deixe esquecer que o tempo está passando.
— acabou mais uma década para você — ele diz. 

Este é o fim?
Por enquanto ainda estou aqui.



terça-feira, 10 de dezembro de 2024

agradecimento Completo


Deu certo, consegui, graças a Deus e a todas as pessoas que lutaram junto comigo, pessoas de perto ou de longe, pessoas que me apoiaram, às vezes sem dizer nada, às vezes me empurrando.
Obrigado a todos que me aturaram, que me suportaram no dia a dia, a cada derrota, nos momentos em que mais precisei. Todos vocês que não desistiram: essa conquista é graças a vocês. Eu nunca teria chegado a esse dia sem vocês.

E claro! Agora devo um agradecimento especial e merecido aos mesquinhos, insignificantes e desprezíveis que fizeram questão de tornar o caminho mais difícil.
 Àquelas almas pequenas e incrivelmente comum, que, incapazes de alcançar qualquer coisa por mérito próprio, só souberam jogar suas frustrações nos outros. Os que falaram pelas costas, os que julgaram, os que deixaram suas obrigações para mim, sobrecarregando-me enquanto se deliciavam em sua mediocridade. Vocês, que sempre tão espertos quando atrasaram a minha vida, não só no meu trabalho, mas também o lixo que deixavam para trás.

Vocês foram essenciais, uma escada de degraus podres, mas que, ironicamente, ajudou na minha subida. 
Sem o contraste da sua mediocridade patética, minha presença e meu trabalho não brilhariam tanto. É trágico – e até cômico – que todas as suas tentativas de me prejudicar só serviram para destacar minha capacidade e competência de uma forma que eu nunca teria alcançado sozinho. Sim, todos esses parasitas acomodados, figuras irrelevantes, um número apagado na multidão, que só conseguem repetir diariamente a mesma insignificância. Todos vocês acabaram me beneficiando.
Hoje eu estou pura felicidade; finalmente recebo o resultado de tanto esforço. Foi difícil, mas agora consegui. Muito obrigado.

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Perguntas de RH


Era uma semana convencional, já tinha entrevistado uns 8 candidatos para aquela vaga, era um dia bem comum.

O único problema era aquela pergunta, aquela ultima pergunta que foi inserida pela coordenação, era uma pergunta aleatória sobre qualquer coisa, com o único objetivo de ver a reação do candidato.
Nada muito especifico todo mundo estranhava a pergunta e me respondia com outra pergunta, era uma coisa totalmente desnecessário era uma perda de tempo.
Mesmo assim eu seguia o roteiro, amava ver as pessoas se saindo bem na entrevista, mas essa pergunta final deixava um clima estranho nos candidatos.

Até que ele entrou na sala, não aparentava ser muito confiante, pensava mais do que o comum para responder as perguntas básicas, mas até aí tudo muito comum, não era possível suspeitar o que poderia acontecer.


- Muito bem Lopes! Tem alguma coisa sobre sua experiencia que é importante adicionar?
- Não! Eu já disse tudo, tenho experiencia como manobrista, mas creio que não seja importante para vaga.
- Não. Tudo bem está tudo registrado na sua ficha....
Então veio o momento da ultima pergunta, contra a indicação da coordenação eu quase finalizo a entrevista para depois fazer a pergunta.
- Só uma última pergunta Lopes.
- Diga

- Se você vice uma galinha do outro lado da rua querendo atravessar, o que você faria?

Ele me fez um olhar enigmático como se quisesse ler meus pensamentos, ficou imóvel durante um tempo, em seguida olhou para baixo e deu um sorriso discreto, e começou a falar o mais rápido que ele pode.


- Olha Regina, isso depende muito de duas coisas; Primeira coisa que eu faria era descobrir se a visão de uma galinha era algum tipo de alucinação individual minha ou coletiva, pelo fato de estarmos no meio de um centro urbano de uma grande cidade uma galinha viva passeando pela calçada é uma coisa muito incomum, tão incomum que só pode ser fruto de algum tipo de paranoia ou alucinação, logo eu confirmaria com qualquer desconhecido a minha volta se ele tem a mesma capacidade de ver uma galinha viva que eu estou avistando. No caso de ser uma alucinação particular eu iria procurar ajuda em um hospital, em seguida eu iria descobrir quem foi que fez isso comigo; para o caso de ser algum tipo de alucinação coletiva eu iria procurar abrigo, pois quem mais teria um poder de fazer várias pessoas terem a mesma visão sem sentido se não algum tipo de tecnologia desconhecida como a dos Extraterrestre... -


Nesse momento eu já estava plenamente hipnotizada por suas palavras somente gesticulei para ela continuar.


...Sim, eu correria para  um abrigo subterrâneo longe da influência das ondas psíquicas que podem controlar os cérebros humanos; não é nenhuma novidade que as aves num geral são parentes dos antigos predadores da terra, os dinossauros, ao contrário do que todos pensam nos já vencemos essa batalha uma vez e expulsamos os dinossauros desse planeta, os que ficaram viraram fóssil para nos lembrar dessa grande guerra que esta prestes a acontecer novamente eles querem revanche e vão usar todos os seus desdentes como as aves e os repteis, sabia que a carne de frango e os ovos de galinha já são o tipo de proteína animal mais consumido no mundo, sim querida eles voltaram, estão de volta e vão nos dominar de dentro para fora, mudaram nosso DNA pela ingestão de carne de frango agora estamos mais vulneráveis aos seus controles mentais, o que era uma habilidade de adaptação dos humanos agora esta sendo usado contra nos mesmo. Você deve estar se perguntando que tudo isso não faz o menor sentido. Eu te falo o que não tem sentido: uma galinha querer atravessar a rua de uma cidade movimentada sendo que a galinha mais próxima deve estar num raio de 30 quilômetros ou mais, o que não faz o menos sentido é o melhor irmão e mais inteligente ter sua vida ceifada por um detalhe de má formação dentro do seu cérebro, ele passou seus últimos seis messes internado num quarto de hospital, sempre que iriamos visitar ele contava algum tipo de historia de ficção cientifica, coisas que ele pensava para se distrair das dores de cabeça. Uma vez ele me disse que tinha muitos pombos em sua janela, eu nem dei a mínima e disse que tinha muitos pombos em qualquer lugar, então ele me contou essa história sobre as aves que acabei de dizer para você. Eu te devolvo a mesma pergunta, o que você faria se vice uma galinha tentando atravessar a rua, se é que você iria reparar nela ou em todas as outras coisas extraordinárias e fora do comum que acontece a sua volta que você nunca percebe por que esta focada no obvio, depois fica se perguntando como inovar, como fazer diferente, mais ninguém tem tempo para ouvir as coisas que as pessoas tem para dizer, ninguém tem tempo para reparar na loucura alheia. Esse sou eu inventando uma realidade paralela a cada pequena coisa que ninguém repara, desde uma mosca que entra pela janela do ônibus pousa no vidro e fica pensando que ainda está voando mesmo parada ela se pergunta por que tudo a sua volta esta se mexendo, ninguém nunca repara nas nuvens do céu ou no formato que o conjunto de folhas na copa das alvores formam, eu que tenho que parecer normal o dia inteiro parecendo o mais obvio o possível para as pessoas não se assustarem ou não pensarem que sou algum tipo de louco, todas as respostas são as mais obvias possíveis, tentando ser o mais comum o possível para se encaixar numa vaga de emprego, numa fila, num atendimento por telefone, então fico me expelindo em piadas sem graça ou brincadeiras triviais em um diálogo informal implorando para encontrar algum outro louco para me identificar, mas o que vejo são pessoas comuns que tem suas mentes controladas por ondas psíquicas dos nossos inimigos. Meu irmão se foi, mas ele deixou seu estilo de vida como um exemplo para mim. Eu sei que você diria que é uma pergunta aleatória só para saber a reação dos candidatos, mas ninguém percebe as oportunidades que a vida dá para ser quem você é, para pensar livre. Não é só uma pergunta é uma oportunidade para pensar o que você quiser.


- Ta ok... Lopes.. obri.. obrigada.


Ele se levantou, despediu e saiu, eu fiquei ali na sala sozinha tentando digerir tudo aquilo.




terça-feira, 21 de maio de 2024

A inutilidade da indefinição de qualquer coisa.



A atendente procurava pelo nome da pessoa que aguardava do outro lado do balcão. Eram muitos envelopes, muitos nomes comuns, até que encontrou o certo. Era grande e pesado, mais do que os outros. Segurou com firmeza e tentou disfarçar a curiosidade em saber o resultado que estava ali.

Entregou para a pessoa do outro lado do balcão.
— Nossa, que envelope grande! — disse a pessoa, surpresa pelo volume.
— São muitas páginas. Temos exames mais complexos que parecem até um livro e...
— Não vejo a hora de abrir para ver o resultado. Tchau! — disse a pessoa, despedindo-se. Virou-se e deixou a atendente falando sozinha, curiosa pelas informações contidas no envelope.

No sistema antigo, a atendente tinha acesso aos resultados dos exames usando a senha da sua gerente. Sua curiosidade era sempre saciada. Havia uma competição entre os funcionários para ver quem sabia mais sobre os resultados dos exames, seja pelo sistema ou por outros meios. Conhecer o dono daquele exame e, numa conversa informal, extrair o máximo de informações da vida dele servia de alimento para fofocas entre as atendentes. Era um status entre as fofoqueiras.

A pessoa entrou no carro e jogou o envelope no assento do passageiro, demonstrando um falso desprezo. Decidiu continuar a vida, tentando ao máximo ignorar o envelope. Esse era um ponto sem volta. Não saber o resultado era como não ter feito exame nenhum. Era um lugar confortável, porém o envelope já estava ali. Tanto faz o resultado, positivo ou negativo, não tinha mais volta. Apesar de acreditar no resultado positivo, ambos os resultados tinham o poder de alterar para sempre sua vida.

O resultado negativo, apesar de aparentar um alívio momentâneo, não significaria nada disso a longo prazo. Na verdade, era outra sentença igualmente difícil de resolver, com outras idas a laboratórios, consultas a especialistas de várias áreas diferentes da medicina convencional, outros exames complementares, etc. Uma rotina que adoraria evitar. Na verdade, sua preferência pelo positivo também era um dos seus principais medos.

Será que uma pessoa na sociedade não poderia viver sem saber nada sobre essas coisas e simplesmente deixar as coisas acontecerem?

Pegou o envelope e começou a abrir. Fez um rasgo pequeno e o cheiro de papel novo surgiu. Então, essa pessoa refletiu em seu cônjuge, com quem dividia a vida há quase uma década. Esses exames e toda a ideia de cuidar da saúde eram por causa dessa parceria. Quase dez anos de um sólido relacionamento íntimo, muito mais do que um dia essa pessoa imaginou que aconteceria.

Ligou o carro e saiu do estacionamento do laboratório, com o dever de chegar em casa e abrir o envelope na presença da pessoa que vivia junto há tanto tempo. Afinal, o resultado era de total interesse dos dois. Durante o caminho, não tirou os olhos do envelope sobre o assento do passageiro, como se o objeto estivesse chamando a atenção.

Envelope sobre a mesa um ser humano pensativo olhando para a janela, de costas para a mesa. Essa era a cena em que o cônjuge se deparou ao chegar em casa.
A vida a dois se mostrará uma surpresa improvável da vida.
As coisas foram acontecendo, e um dia já estavam juntos, sem uma data ou cerimônia, vivendo como um casal. Nada oficial, mas o dia a dia deixava claro o que não era declarado. A convivência era a aliança de compromisso dessas pessoas.

— Oi, vida.
— Oi, tudo bem?
— Claro.
— Saiu o resultado do exame.
— De qual exame?
— O que fizemos na quinta.
— Ultimamente são tantos exames. Esse é o seu ou o meu?
— Está em meu nome, deve ser o meu resultado.
— Então? Positivo ou negativo?
— Não sei, quero ver junto, por isso aguardei sua chegada.
— Ah, entendi o porquê. Lembrei que exame é esse. Mas como conseguiu se conter em não saber o resultado? Como conseguiu controlar a ansiedade?
— Faltou coragem de saber o que será de nossas vidas daqui em diante.
— Deixa de exagero, abre logo, vamos descobrir.
— Não! Pensei em deixar como está. Se destruirmos o conteúdo do envelope, podemos viver como se o resultado fosse uma sobreposição.
— Como assim?
— O resultado é os dois ao mesmo tempo, positivo e negativo juntos, sobreposição como na física quântica.
— Isso é sério? Porque se for uma piada, eu não vejo graça alguma.
— Veja os benefícios de não ter certeza. Temos que lidar com os dois resultados ao mesmo tempo, tomando todas as precauções do peso da responsabilidade dos dois resultados e vivendo os benefícios dos dois ao mesmo tempo.
— Qual você acha que é o resultado?
— Não sei, mas sinto que será positivo. Mas sei também que pode ser negativo. Se abrir, teremos certeza; mas tanto faz um resultado como o outro, nossas vidas serão completamente afetadas. Nunca mais seremos os mesmos.
— Sim, concordo plenamente. Por isso, já vou me adiantar e te dizer que estou rompendo esse relacionamento.
— Como assim? Nem sabemos o resultado!
— Essa é a sobreposição de resultado: viver com o positivo e o negativo ao mesmo tempo. Pelo positivo, você sabe que eu estaria do seu lado. Conversamos sobre isso, lembra? Mas pelo negativo, não. Se é para viver em sobreposição, então te adianto que, pelo resultado negativo, não existe mais relacionamento entre nós dois.
Um clima tenso tomou conta do ambiente. A pessoa cujo nome estava no envelope não pôde conter a emoção e começou a lacrimejar. Respirou fundo e disse:
— Então vou destruir esse exame.
— De quem é o nome no exame?
— Meu nome.
— A escolha pertence a você e tão somente.
Uma das duas almas humanas naquela sala pegou o envelope, jogou na pia, depois buscou álcool dentro do armário e encharcou o envelope. Pegou um isqueiro e acendeu. As cores do envelope começaram a escurecer. Com uma espátula de metal, foi mexendo para que o fogo consumisse todas as páginas. Logo, o resultado não passava de um bolo de cinzas.
— Pronto! É isso que você chama de sobreposição?
— Isso! Você vai embora quando?
— Mais tarde. O que vamos jantar?
— Tá afim do que?

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Fim