quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Restrutura Neural 2


Parte 2 ......final......

Depois de lavar meu rosto o sono passou, consigo mover o meu corpo como se estivesse num pântano com barro até o pescoço, talvez seja o vinho que me deixou lento ou os meus neurônio, de repente vejo uma ideia descendo do teto do banheiro e entrando pelo ralo do chuveiro, é uma ideia antiga dessas que vem por acaso, típica ideia de banheiro, é o tipo de ideia fundamental que você não imagina da onde saiu, é a ideia que todos esperavam, a solução para o mundo; esse assunto específico. Não é do tipo óbvia, é uma ideia inesquecível que infelizmente fica no banheiro quando eu saio dele. A quanto tempo eu tenha perdido ela? 

— O que está acontecendo? Eu estou vendo ideias?

Daí a mesma ideia sai da pia e vem minha direção, depois desvia de mim e sobe para o infinito do teto e some, como se estivesse se escondendo.

Droga quando isso acontece… isso não é normal, eu to assustado, primeiro preciso descobrir se ainda estou dormindo, será que ainda estou dormindo?

Mesmo que tudo pareça real e meu corpo esteja se movimentando, devagar e sonolento, será que eu estou acordado?

Bem a resposta só pode estar naquela ideia, de onde ela veio? E para onde ela vai?

Do nada eu foi impulsionado a procurar essa ideia, peguei um banquinho levei para o banheiro e observei o forro, as frestas do forro de madeira do banheiro, não deu para ver muita coisa pois o banquinho era do tamanhos daqueles descanso de pé. Consegui ver alguma coisa, demorei para decifrar o que era mas quando consegui percebi que se tratava de um vilarejo, ou algo parecido, uma comunidade de ideias perdidas, desperdiçadas, vivendo tranquilamente bem ali.  

Tentei entender aquilo, racionalizar a situação, mas não obtive nenhum sucesso, desci do banquinho e comecei a pensar em uma estratégia para recuperar quem sabe aquele mundo de ideias que estão bem em cima do banheiro, mas estava difícil de fazer isso sem os meu neurônios.

Por isso eu peguei um Pé de cabra antigo e enferrujado que eu guardo atrás da porta de entrada (por segurança comprei uma vez mas nunca usei, quase joguei fora uma vez). 

Talvez o forro do banheiro não fosse tão resistente, uma paulada já bastaria.

O plano consiste em fazer escorrer essas ideias acumuladas no forro do banheiro atraindo assim os meus neurônios e assim eu capturo eles novamente, para que eu esteja sensível a esse retorno presciso de vinho.

A geladeira é um celeiro de antigas lembranças, lembranças associadas a comida, a geladeira concentra os mais valiosos mantimentos e de bom grado encontrei um copo esquecido nas gavetas das frutas com o vinho que desde não sei quando estava bem ali, considerei um presente do deus Geladeira, mantenedor de todos produtos industrializados. 

Com o pé de cabra na mão subi no banco e deu a porrada mais forte que pude, mesmo se mexendo lentamente.

 BooouummmmHH!!!!! 

Fez um rombo pequeno, o suficiente para escorrer aquela maravilha de ideias, todas esquecidas num banho ou em um simples escovar de dentes, bebi o copo todo do presente da geladeira, não estava ruim mas me deu a sensibilidade que eu precisava naquele momento.

Quando o eu neurônio aparece devorando todas aquelas ideia eu me joguei para dentro de mim em luta corporal, parecia uma batalha, uma mistura confusa de sentido, razão, sentimentos, mágoas e deveres, nada faz sentido nem mesmo o próprio nada, um garfo perfeito apareceu em minha frente acalmou a situação, ele era do tamanho de uma pessoa, era bem curvado, e sua prata refletia a confusão que estava em volta e dentro de mim, até que tudo congelou, nesse momento agradeci o deus geladeira pela segunda vez. 

Brotou dois olhos e uma boca naquele garfo, fez uma expressão de quem queria conversar comigo, a minha cabeça estava começando a doer, os meus neurônios estavam se desintegrando em volta de todo o banheiro no meio da cachoeira de ideias que escorria do forro, estava tudo paralisado, com uma fotografia, a única coisa que se mexia era eu e o simpático garfo reluzente.

— Oi   — disse o garfo
— Oi ... éé oi? Eu acho...
— Calma rapaz eu estou aqui para te ajudar — disse o garfo
— Você é um Anjo ?
— Não sou um garfo, por incrível que pareca sou fabricado no brasil.
— Se eu não estivesse te vendo não acreditaria que você é real.
— Concordo com você e digo o mesmo sobre você, talvez diria o mesmo para quase tudo. Porém agora eu preciso muito que você me escute, é do seu interesse.
— Sim não estou desacreditando.
— Nós podemos conversar em um lugar mais estável? Sabe uma conversa sincera de garfo pra...
— Que tal a cozinha?
— Ótimo ambiente familiar  —  disse o garfo flutuando em direção a cozinha, saindo do banheiro eu fiquei impressionado com a cena, estava tudo congelado, minha cabeça muito dolorida.
— Eu gostaria de saber o porque você esta fazendo isso? — disse o garfo
— Não sei... é isso o que?
— Isso de se separar dos seus neurônios, ninguém pode ficar longe deles, pensar sem eles cria em você alguns neurônios virtual, não tem ideia de como isso é perigoso ?
— Não. Não sei mesmo, só queria fugir.
— Deixa eu te explicar uma coisa primeiro, as pessoas, os seres humanos têm certas limitações, são condições para manter o organismo vivo, o sistema nervoso... é bem literalmente como o sentido da palavra sugere, ele é nervoso, só é possível pensar com seus neurônios, você não tem permissão para se separar deles, a cada segundo que você fica sem ele os neurônios virtuais tomam espaço de um neurônio verdadeiro, depois de um tempo seus neurônios fora de você acabam morrendo e você volta do Zero, como se você fosse um recém nascido.
— Como um garfo sabe tanto sobre o cérebro humano?, você é Jesus.
— Não ! sou um garfo, apenas isso e nada mais do que isso.
— O que eu devo fazer então ?
— Temos que voltar para o banheiro e eu vou recolocar os seus neurônios todos de volta no lugar.
— Não to falando disso, estou dizendo sobre o motivo que me levou a me separar de mim.
— Essa é a parte mais complicada, você tem alguns vários... “desvio de personalidade”, você acha que não deve ser igual a todos então contraria as opiniões para tentar ser diferente, como  se fosse uma referência, mas no fundo só esconde o seu verdadeiro “você”, por qualquer motivo, talvez por que você sabe o quanto fracassado é, um completo perdedor, patético.  então você acorda com uma âncora na cama, levanta e se lamenta por não ser o que você um dia quis ser, você nem mesmo lembra disso, ou esqueceu de propósito, por não lembrar sente falta de alguma coisa. Sabe você só pode entender o que eu estou falando quando você estiver completo, me siga até o banheiro — disse o garfo flutuando de volta até o banheiro, eu estava conformado com tudo o que ele disse, mas não senti o peso de nenhuma dessas palavras.
O garfo gigante e belo se posicionou flutuando em cima do vaso sanitário, eu fiquei de frente para ele.
— A sua cabeça vai doer mais do que já está doendo, assim que o tempo voltar você vai apagar, e eu vou reorganizar suas tabelas… digo os seus neurônios.
— Vai doer muito?
— Vai doer o suficiente, os garfos chamam isso de Ressaca.

Tudo voltou a girar novamente as ideias escorreram do teto meus neurônios se dividindo, o banheiro estava girando bem rápido, vi água e um monte de elefantes, quando apareceu os garfos, a minha cabeça começou a doer, senti um milhão de facas bem afiadas atravessando cada centímetro da minha cabeça, tudo doía, pensar doía, piscar, olhar, se mexer doía, até as lembranças desagradáveis se estamparem em forma de cinema no teto, crianças riam, a minha mãe está pedindo para eu pedir desculpa, até tudo apagar do nada.
Acordo lentamente no chão do banheiro, primeiro tentei abrir os olhos, assim que a luz entrou na mente senti o caminho que ela percorre pelo olho e como olho leva essa informação para o cérebro, uma sensação bonita se não fosse pela impressão que estivesse entrando dinamite explodindo nos olhos e no caminho que leva até o cérebro entender a imagem. 

Um grito de dor e fecho os olhos... abro de novo e outro grito... pensei em abrir o olho mas a dor era muita, pensei em lembrar da última imagem do banheiro, mas a cabeça doeu muito quando busquei da memória, então abri os olhos novamente e mantive aberto, até reconhecer o lugar. Desmaiei de tanta dor.
Não sei quantos minutos depois acordei com uma dor duas vezes maior, a diferença é que não piorava quando abria os olhos, entendi que estava no chão do banheiro deitado de lado, com o corpo dormente, o sol invadia a janela colorida e pequena do banheiro, devia ser domingo, tenho que recomeçar de novo.

Com ajuda do pé de cabra levantei me sentindo num formigueiro, não me reconheci no espelho.

“Pelo menos acho que esse deve ser eu” 

Do espelho vi o buraco do teto e nenhuma ideia no forro, na pia do banheiro habitava o copo vazio com o fundo roxo, saio do banheiro, o sol realmente está denunciando que é uma manhã de domingo, uma manhã geladinha, quase fresca, típica manhã de inventores, típico dia de preguiça largado numa enorme cama de casal, de passar o dia de pijama, para quem usa. 

A dor me impede de pensar, só consigo imaginar o meu quarto, podia sentir o vento solitário vagando pela chão do corredor que me levava direto para o quarto, sentia que esse domingo inspirava o mundo a ser um pouco melhor, sentia crianças acordando ansiosas para sair na rua e admirar o grande dia que terão para brincar num parque ou para ver seus pais, sem nenhuma preocupação em aproveitar o dia ensolarado, essa criança simplesmente curte com o que tem sem reclamar e se diverte com a grama do quintal da frente; senti também a estrada, o asfalto gelado olhando para o eterno azul do céu, me senti as férias da família simples que viajou para um sítio no interior, se perguntando como as pessoas vivem ali.
Até que cheguei na cama bagunçada, me enrolei num cobertor e curtir a dor passando aos poucos.

A vida às vezes parece estar distante do que imaginamos, a vida às vezes parece ser de outra pessoa, a realidade agride os sonhos, os planos e me tira da vida, que eu gostaria de levar, somente os heróis conseguem reverter a realidade transformando em comum a realização dos sonhos, os heróis mais corajosos.
Se aquele garfo estiver certo preciso para de ganhar dinheiro atendendo o telefone não posso ser totalmente ingrato foi essa merda que me sustentou ate aqui, mas acontece que nunca sonhei em passar meus dias ajudando as pessoas sem conhecê-las, só precisava de um tempo para lembrar qual era o meu sonho, sinto vontade de sair correndo por ai, qualquer lugar, mas para onde ?
Nenhum lugar, acho que meu sonho no momento é desligar o telefone e sair correndo, antes fechar a mão e quem sabe bater com bastante força no rosto daquela estúpido, sabe só para chocar as pessoas em volta de mim, depois sair correndo, correndo para um lugar onde eu ainda nunca fui, mas isso é o tipo de coisa que só um herói pode fazer, preciso me tornar um para melhorar o minha vida,  ser pelo menos por um dia um herói, e me salvar de mim mesmo, me libertar da minha mesmice, para de reclamar pode ser o primeiro passo. 

Me recuperar desse trauma psicológico, vou sentir saudades desse garfo, as vezes é difícil conter tanta coisa que eu tenho quando estou vazio…

Durmo sem querer com o friozinho matinal de um domingo magnificamente esplendoroso, só para heróis que mudam constantemente o rumo da sua vida (para melhor como sempre), a mim cabe dormir e sonhar no meu aparentemente insignificante mundinho.
No meu sonho me vejo em cima de um grande prédio, de cima do predio eu via uma praia (deveria ser um prédio construído próximo do mar) de repente senti uma vontade de voar, fiquei com vontade de sair com os braços abertos como uma águia, tinha plena consciência que eu  não era  uma águia, me aproximei borda do prédio, dei uma olhada para baixo e não consegui ver rua lá em algum lugar, era muito mais alto do que eu imaginava, era bem mais alto que um prédio poderia ser, me perguntei como era possível um prédio tão enorme, percebi que isso era uma auto-armadilha da minha mente tentando desviar o foco, eu tinha que sair voando, eu sabia que era possível, pois o prédio era perfeito, era gigantemente grande, a altura perfeita para pegar impulso e sobrevoar por aí, eu só não me lembrava para onde eu queria ir.

Nesse sonho eu tinha certeza que tinha todas as condições para ir para um lugar que eu me esquecera, pensei no sonho em fazer um treino, olhei para trás e percebi algumas caixas de madeiras, de cima delas dou alguns pulos, em um deles eu fiquei mais tempo no ar do que imaginei, comecei a ficar desconfiado que não voaria, que teria que descer os quase 300 andares do gigantesco prédio pelas escadas, mas esse lugar que eu não lembrava realmente onde era valia muito a pena ir até lá, resolvi fechar os olhos e me concentrar para começar a descer as escadas, antes de chegar perto da escadaria vejo um raio, na verdade era mais um reflexo do sol, poderia ser um avião, joguei fora essa possibilidade quando vi  o garfo parado na minha frente sobrevoando bem em cima de mim.

— Onde você vai ? — perguntou o garfo estacionando no terraço do prédio do meu lado
— Garfo gigante você novamente
— Sim, não acredito que você estava desistindo, você sempre quis voar
— Sei disso mas não estou voando, é impossível até mesmo dentro de um sonho.
— Eu te mostrei, te ensinei com se faz — disse o garfo me olhando dentro dos meus olhos.
— É — disse isso pois fique constrangido.
— Venha comigo até a beira — falou o garfo indo para a borda do prédio, que media uns 30 centímetros do chão do terraço
— Eu já treinei com essas caixas.
— Nunca vai conseguir treinando assim, você precisa tentar de verdade, pra valer — veio na cabeça uma ideia maluca que esse garfo estava querendo me matar, ele salvou minha vida uma vez e ele que me ensinará a voar por esses dias (ou noites, estamos sonhando).
— Eu sei, tenho receio de pular, queria chegar a algum lugar mas já me esqueci onde fica.
— Você precisa relaxar e se concentrar em tudo que te motiva a voar — falou  o garfo como uma professora da pré escola fala com os seus alunos quando eles borram em as linha do desenho.

Cheguei perto dele abri os olhos e os braços, ela me disse como é cruzar o oceano bem perto da água, abri os olhos olhei fixamente para o mar.

— Você pode! É só errar o chão que você vai voar longe, a propósito você queria ir para londres, nas aulas você só comentava que queria parar em cima do grande relógio o Big Ben na torre do Palácio de Westminster, depois voltar.

Então me concentrei totalmente no mar tomei distância dando alguns passos para trás, então corri o mais rápido que consegui e pulei gritando “errar o chão!!!” 

Fechei os olhos quando senti o vento no minha orelha abri os olhos e estava voando, olhei para a linha do horizonte e fui, cada vez mais rápido, quando olhei para trás a praia já tinha sumido já estava em alto mar, mais rápido, mais rápido.

Podia controlar minha velocidade fechando os braços a resistência do atrito era bem menos, assim comecei a avançar cada vez mais rápido, quanto mais rápido eu voava mais o mar parecia parado, resolvi dar um rasante mais próximo da água, a descida foi brusca, abri um pouco os braços para para diminuir a velocidade me estabilizei paralelo àgua meu nariz estava a uns 20 centímetros do nível do mar. 

Resolvi alcançar o maior velocidade que o meu corpo permitir, braços junto do corpo, como a posição de sentido de um soldado. A velocidade era tanto que olhar para frente já não era mais possível, minhas pálpebras não aguentam tanta pressão do vento, senti o sangue da cabeça descer para o meu pé, um frio dominou meu corpo, não queria saber de parar, por um descuido me aproximei da água e queimei a ponta do meu nariz num simples toque no tapete aguado, apesar de tudo não conseguia para, o vento soprava tão forte no corpo inteiro com se estivesse na frente de um ventilador gigante, resolvi tentar dar um mergulho com estilo, então pensei em fazer uma volta para trás como uma roda gigante e me jogar na água, a ideia parecia  muito boa, só que não consegui parar, meus braços não tinham forças para abrir e diminuir de velocidade, tentei o bastante, quando escuto um barulho estranho, como se fosse raios, joguei a cabeça para trás para ver mais a frente, o barulho era uma tempestade, estava me aproximando muito rápido da tempestade, naquela velocidade cada gota me cortaria como um lâmina importado do oriente, não conseguindo me mexer muito voltei a cabeça para olhar o mar, o barulho não parava, tomou conta daquela sensação, os raios trovejava no meio da tempestade, era tudo bem alto, e rápido, água, velocidade e lâminas em mim.

O relógio me desperta, estou mais uma vez ancorado na cama, com a mínima vontade de sair, de pensar ou de trabalhar. As vezes é mais fácil aceitar uma rotina ruim de um trabalho repetitivo do que procurar um outro, lembranças de um garfo lindo que  me diz alguma coisa, domingo passou bem rápido, nem reparei que já é mais um dia útil da semana onde pessoas injustiçadas reclamam por uma gota de justiça discando nos 0800, mais um dia inútil.

Tudo de novo outra vez. dessa vez sem medo de voar

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Restrutura Neural 1


PARTE 1.

  Não gosto de Whisky, na verdade nunca tomei, se um dia experimentar, então, terei o que dizer dele, mas agora sem nenhuma informação digo que não gosto de beber esse líquido caro, essa é uma boa forma de aceitar que eu nunca provei algo que muita gente diz ser bom, assim eu me torno diferente, afirmar isso é mais para meu auto-orgulho do que para ser diferente. Me sinto bem melhor ao sair da loja, sei como tratar assuntos desconhecidos, na verdade, é o que faço de melhor, tenho que manter um estilo, mesmo que não seja o meu, é um estilo que eu gostaria de viver, não só de viver como o de se vestir, em tudo me dedico a esta lei, que eu mesmo criei às vezes tudo isso é tão automático que nem penso. Mas por dentro é tudo diferente, não sou o mesmo cara. Digamos que por dentro sou irreconhecível. Vai ser um fim de semana bem longo, preciso me reestruturar, às vezes sinto que a base está quebrando, nada como um bom final de semana isolado e interno para me recompor, preciso esquecer tudo. Principalmente que é um fim de semana com feriado, o feriado mais esperado do ano. Isso começa agora, tenho tudo que preciso, só basta atravessar a rua, e me isolar dentro de casa, talvez nem sair de dentro do quarto. É só uma rua para atravessar, talvez eu morra no caminho, pois há possibilidade de morrer. Quando começo a trabalhar com possibilidades significa que preciso mesmo, muito me organizar, toda essa rotina esta me fazendo muito mal, fico tão cheio que a cabeça só pensa em descansar, e quando eu descanso fico me sentindo mal por estar descansando. Atravessar a rua, esse é o primeiro passo, mais um pouco estarei no meu refúgio, to cansado de ser alguém que eu penso ser legal, ou estilizo, lá dentro se eu for sem estilo, serei eu mesmo. De porta trancada janelas abertas de cortina fechadas, silêncio da chegada, a pequena compra de suprimentos de emergência em cima da mesa. Abro a garrafa de vinho, um gole extremo, da abertura ao fim de semana, posso imaginar um estádio inteiro torcendo pelo fim de semana, por esse fim de semana, como se todo mundo quisesse ver ao meu fim de semana, é como o jogo imperdível, um torcedor grita "vai - lá uhhuu!". Todos estão esperando o grande gol da vitória do meu fim de semana isolado, sozinho, numa ilha, trancado, sem nem um animal de estimação, nada além de mim e qualquer objeto a minha volta que eu possa conversar… Garfos adoro os garfos, essa paixão começou depois de um desenho animado da Bela ea Fera, depois daquele musical eu entendi que o garfo é como as melhores mulheres do mundo, é um objeto perfeito, seu formato não retém os líquidos, e o macarrão fica ótimo enrolado num garfo. Os chineses ou os japoneses, não sabem o que é isso, não podem compreender, eles perdem muito tempo e coordenação motora comendo com dois palitos de madeira, isso é uma humilhação. O macarrão foi criado para o garfo, dois palitos de madeira nunca vão substituir o verdadeiro garfo. É uma ignorância quando você olha pela janela e vê que existem outros mundos lá fora, imagine outra pessoa como eu, que pode pensar e agir, não, eu nunca vou reproduzir como funciona o mundo lá fora, ou as misturas dos mundos, cada pessoa tem possibilidade de pensar de uma maneira diferente, eu nem me conheço direito, como posso imaginar um pensamento de uma outra pessoa qualquer? As possibilidades são imensa, tamanha, prefiro o meu mundo fechado e lacrado, assim nunca ninguém pode interferir, lá, além da janela estamos sempre tentando se adaptar a mundo mais forte de outras pessoas, ou assumindo um estilo de mundo comum, que seja aceitável. Droga, preciso parar de pensar logo e começar a reindexação do meu sistema, já estou quase surtando. Ainda bem que tenho esses meus pequenos objetos que me ajudam a relaxar, o clipes é um exemplo perfeito, se o Garfo casar com o Clipes, vai nascer um uma perfeição inimaginável, será o objeto mais belo e perfeito. Não posso me concentrar nisso se não eu me emociono e começo a chorar, se eu chorar vai ser o fim de semana inteiro. Não! Deito no Sofá, (um ponto importante é a qualidade dos objetos, pois somente um simples sofá não serve para reorganização e restruturamento de pensamentos, precisa ser suave leve), respiro fundo, deixo a garrafa quase vazia de vinho cair no chão, e durmo um sono profundo, Dormir é um dos requisitos, o mais estranho é que ninguém manda no seu sonho, você sonha e pronto, a não ser que esteja extremamente cansado, e estressado, daí a sua mente não tem controle do subconsciente, ou melhor, o subconsciente não tem controle, está tão cansada que fica tudo livre, solto, com a dose certa de concentração já dá para começar a reunião de neurônios, como se cada um deles fosse uma pessoa diferente, eles vão tomando vida própria, com o pequeno diferencial, cada um deles sabem exatamente o que todos estão pensando ao mesmo tempo. Eles conversam sobre vários assuntos, todos sabem sobre cada assunto que está rolando entre eles, nada escapa, nem uma pequena intenção de pensamento, Pensamentos, neurônios adoram pensamentos, eles se alimentam de pensamentos, não importa a origem nem mesmo a qualidade,de todos os tipos e tamanhos, os neurônios comem tudo, é extinto de sobrevivência. Traduzindo, imagine uma estação do metrô em horário de pico, como se fosse um formigueiro, agora imagine todas essas pessoas conversando alto, o mesmo assunto, a mesma fala, as mesmas perguntas, as mesmas respostas, eles se movimentam sem encostar um no outro, imagine uma piada, todo mundo rindo ao mesmo tempo da mesma maneira, é ruim quando começa a avalanche de piadas, isso acontece quando alguém lembra uma piada que faz lembrar outras e outras, que lembra o dia que você escutou um monte de piada. Uma avalanche de piadas estragaria todo o fim de semana, eu não posso falhar em concentrar todos os neurônios, eles adoram ficar soltos por aí, acham que podem fugir. Se nenhuma piada perdida acontecer vai dar tudo certo. A noite parece que só está começando, aparentemente estou deitado quase dormindo, com os neurônios concentrados, posso relaxar o corpo para cair num sono, todos os neurônios se reúnem, vão se fundindo, se misturando, vejo idéias entre eles e um pouco no chão, as melhores são para formar a cabeça do analista, é assim que os neurônios se acumulam se transformando num clone de mim mesmo, ou de como eu gostaria de ser, corpo formado por meus neurônios, estou pronto. Aparentemente meu outro eu parece mais saudável, pensando bem eu nunca me considerei saudável, talvez tenha que mudar de opinião, talvez mude muita a minha opinião, tem pessoas que lutam contra isso, parece que vai acabar o mundo se mudar de pensamento. — Oi meu eu de neurônios está tudo bem? pois você me parece muito bem! "Não!! claro que não, que afirmação mais falsa, quando que eu vou aprender? Quando que um dia eu vou olhar para mim mesmo e vou enxergar alguma coisa que seja digna de um bom pensamentos, bem não posso me julgar assim, afinal de contas eu sou um pensamento vivo, ou vários deles". — Essa com certeza é a minha pior versão. “Ei o que você… é... Eu… o que eu acho que eu sou para dizer isso de mim mesmo?” — Essa frase ficou muito estranha. Talvez eu mesmo, acho que isso não está funcionando, era para o meu eu de neurônios me ajudar "Tudo bem, porque você não procura um médico, um psicólogo para ser mais específico, ahh... deve ser porque o único que você confia te deu um fora".
— Dr. Erica, ela nunca me deu um fora, eu só não tive tempo de convida ela para sair, ou será que ela percebeu, que eu estava afim dela? "Isso está muito óbvio, você acha que ela vai querer sair com um paciente?". — Porque não, ela sabe tudo sobre mim, não vai ser alguém desconhecido que ele conheceu numa balada, tenho que assumir que foi a melhor estratégia que inventei para conquistar alguém. "A mais fracassada, você não lembra quando ela disse que deveríamos procurar um outro especialista, porque éramos amigo dela e isso atrapalhava no tratamento" — Isso não significa nada. "É, e porque você acha que ela queria ficar com um cara que mostrou todos os seus pontos fracos?" — Pontos fortes! "Ela disse que você era sem estilo e que deveria parar de se preocupar com o que os outros vão pensar ". — Cara você é chato. "Não é só você que não suporta você mesmo, o mundo inteiro não gosta de si mesmo". — Talvez por isso que estão desmatando a floresta amazônica. "Preciso comer". — Eu tento ter ideias o dia inteiro para você se alimentar e mesmo assim você nunca está satisfeito, deve ser uma solitária cerebral. Então meu clone some corredor a dentro. Ainda bêbado entrando na cozinha, me vejo preparando um lanche, é a primeira vez que vejo (me vejo) meus neurônios se alimentarem, por um instante me me sinto sozinho na cozinha observando um pedaço de pão, depois vejo de novo meus neurônios como se fosse meu irmão gêmeo ou um clone, Quando eu me viro para mim mesmo, dou um pulo em minha direção e digo: "É melhor você fazer alguma coisa!!!". Acordo assustado no tapete da sala, talvez eu tenha caído do sofá, tá tudo escuro, somente a luz da lua entra pela janela, parece uma noite eterna num deserto, ninguém além e do vento refrescante, que entra junto com lua pela janela. Parece tudo muito parado, isolado, estático. Pensativo? Não sei oque significa isso. Está todo parado, mais parado que o normal, tento me levantar do chão e tenho uma impressão que estou dormindo, sinto o corpo pesado e mole, não consigo controlar a minha mão, acho que estou dormindo. Com grande dificuldade em coordenar meu corpo levanto do chão e vou em direção do banheiro, no caminho eu sinto a falta de algo, como se ainda estivesse sem os meus neurônios. Talvez esteja mesmo sem eles. .... Continua... ..

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

O dia 20


Hoje você está ficando mais novo, hoje você está ganhando mais um dia de vida.
Deixe envelhecer o medo, as intrigas e as inseguranças.
Deixe que se percam os dias maus...
...
O que resta depois de um dia ruim é o amor. O Amor que ainda resta em você e princialmente o Amor que alguém tem por você. (alguém com certeza te ama).

A vida é Curta demais. Curta, muito, cada momento é curto.

Um dia comum são todos iguais, mas são nesses dias que você prova sua resistência, amor, fidelidade, fraternidade, eternidade, sanidade, emancipabilidade, reprovabilidade, os seus midi-chlorians, paciência, capacidade de leitura de frases enormes e interpretar-las da maneira correta.

Os dias comum são uma ponte até o sucesso total.
Uma ponte oculta até os dias especiais onde todos vão te ver como você é e não como você aparante ser. (então dai em diante é com você)
...
Quer saber esquece o que eu disse e fique só com o amor.
...

Se beber não dirija.
Se não dirija bebê.

OBS:
Não evite aventuras domesticas nos dias de folgas.
a grande maioria dos acidentes domestico com morte acontecem nos dias de folgas, quando alguém tenta se aventurar em alguma coisa que nunca fez.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

PLANILHAR



Pensando em me organizar melhor, resolvi seguir o conselho de alguns economistas, administradores, amigos e familiares.
Eu resolvi criar uma planilha de Excel para controlar as despesas de casa, se é que a palavra controlar cabe nesse contexto.
Depois de alguns minutos lembrando como se coloca uma borda em uma célula ou a formula para somar. Terminei depois de alguns meses minha primeira planilha em Excel que eu mesmo quis fazer por vontade própria / necessidade.
No inicio a sensação foi ótima; apesar de demorar tempo demais nisso, me senti um adulto responsável, mega-empresário do ramo de contas a pagar no lar.
Então descobri o pior de se ter uma planilha de Excel, a verdade, e qual é a verdade? A verdade é que eu não sei ainda como vou fazer para encara novamente a planilha.
Antes numa folha de papel, num rascunho era só rabiscar e pronto, com a planilha é diferente ela mostra alguma coisa que você não queria ver.
Os valores em vermelho sempre são maiores que os azuis, logo não tem nada de azul, por que quando fica negativo ele vira vermelho.
Então descobri o pior, a planilha que eu criei é esquerdista, uma planilha socialista, toda vermelha, o único valor azul é quase imperceptível, eu tenho medo da minha planilha, eu nunca mais abri ela, na verdade nunca mais liguei o computador para não abrir acidentalmente, as vezes por acaso acontece de você abrir algum arquivo que não devia ter aberto.
O pior que a planilha foi salva numa pasta compartilhada na nuvem, então as vezes recebo notificações no celular sobre os arquivos recentes.
A alguns meses me inscrevi para faze um teste beta de um assistente pessoal on-line, a proposta é ajudar você a se organizar com seus arquivos na nuvem e adivinha quem estava lá na nuvem me aterrorizando?  Sim a “Planilha de contas.xlsxxsxsxsxssxxsxxxxssll”.
Então recebo uma sugestão para corrigir uma formula dentro da planilha, era uma notificação daquele software on-line de inteligência artificial me perturbando, me fazendo lembrar que ela existe, me lembrando que eu cometi o pior erro da minha vida, eu criei uma planilha de excel.
Mesmo assim segui a sugestão, a final de contas não fácil admitir que eu cometi algum erro numa formula de soma do Excel.
Então abri e segui a sugestão e percebi que realmente eu tinha errado nas contas, na verdade o saldo negativo era maior do antes.
Com raiva lancei o meu celular com uma força bruta no chão, tentando me livrar daquele inferno que se tornou minha vida, porém contra minha vontade o aparelho celular não se espatifou em milhares de pedaços no chão, não algo incrível aconteceu, ele ficou pairando a pouco centímetros do chão.
De uma forma macabra pensei que aquele celular estava possuído por alguma entidade maligna, procurei por um pedaço que qualquer coisa rígida para golpear o celular e exorcizar capeta, sai correndo na rua vasculhando as lixeiras na tentativa de encontrar um cabo de vassoura ou um taco de beisebol.
Mas o celular me seguia pairando a poucos centímetros do chão. Não importa o quando eu andasse, o quanto eu corresse, parecia que estava grudado a mim, não conseguia despistar o aparelho chinês, ou sul coreano, não sei.
Corri ate um carro de policia que estava parado a poucos metros, tentei pedi ajuda.
“Policiais vocês precisam me ajudar o meu telefone, meu celular, ele esta me perseguindo”
A dupla de policiais me olhou com uma cara estranha, um deles pegou algum tipo de aparelho eletrônico e tirou uma foto minha, depois de alguns segundos ele me respondeu.
“Será que o Senhor Emerson Henrique tem algo a dizer sobre uma certa planilha inacabada em seus documentos na nuvem?”
Aquilo me deixou muito assustado, como era possível?
Senti um choque no meu tornozelo, era o meu celular que soltava pelo auto-falante uma carga eletromagnética que me fez perder os sentidos, eu cai no chão babando com a visão muito turva em seguida o celular se posicionou no meu ouvido direito e emitiu um ruído hipnótico, então desmaiei.
Acordei sentado em frente a um micro numa sala escura tinha em meus pulsos uma espécie de corrente que me limitava o movimento do meus braços de modo que só conseguia erguer os braços na altura do teclado.
Na tela tinha uma certa planilha solicitando que fosse salva.
Eu disse que sim, em seguida apareceu uma imagem do assistente on-line solicitando avalição da sua performasse de preservação de dados.
Tentei escapar fazendo força, mas um choque insuportável me apagou.
Desde então sego todos as solicitações de teste do assistente / ditador on-line, não consigo dormir, não consigo ter um relacionamento com qualquer outro humano, não consigo excluir meus arquivos. Estou totalmente perdido, escravo da teste beta.
Até quando? Eu não sei, mas aceito todas as sugestões a partir de agora.