Ontem eu esqueci o celular, na verdade ele quebrou, na verdade ele vinha quebrando desde o primeiro dia que passamos juntos e a lei da gravidade que empurra tudo para o chão, se mostrou muito eficaz.
muitas vezes ele se chocou no chão, mas sempre resistia bravamente até cair de uma altura significativa, em uma posição constrangedora.
Tela rachada tudo bem, Agora o conector quebrado, É impossível carregar a bateria, esse modelo é da queles que a bateria é interna.
O que fazer agora, nem terminei de pagar as parcelas, o valor do conserto é metade do valor do aparelho, o valor de revenda é quase 15% do valor que ainda estou pagando.
Sinto como se tivesse comprado um copo descartável, muito útil e caro, mas totalmente descartável.
Ficar sem ele foi uma estranha aventura de auto conhecimento e descoberta, é incrível a velocidades dos pensamentos sozinhos, sem distração sem piadas nas redes sociais.
Tenho certeza que Albert Einstein não seria o mesmo gênio se não passasse horas pensando sem se distrair, se Einstein tivesse um celular a relatividade teria que esperar por uma outra geração.
Acontece que a falta de ter que fazer algo em algum lugar, ou responder a algumas coisas para pessoas não presente impede nosso cérebro de viajar pelas profundezas da imaginação.
domingo, 23 de setembro de 2018
Esqueci o celular
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
No terminal
No terminal é o fim, o fim do caminho.
No terminal não tem opção, no terminal não tem destino, a menos que queira voltar para onde se veio, para isso você não precisa do terminal, não precisa ter um destino uma direção, qualquer lugar que não seja o fim chega lá.
No terminal seremos diferentes, a viagem que nos trouxe até o fim nos preparou, agora tem outro início, único, nova vida.
Para tudo isso acontecer temos que passar no terminal, estamos chegando lá, perto do fim, espero que chegue logo.
domingo, 5 de agosto de 2018
Tudo que não acorda
Já faz muitas manhãs que eu acordo e inda estou dormindo.
Alguma coisa ficou lá dormindo, e não é a minha esposa.
Só esforço para lembrar o que está faltando, mas apesar de estar ainda sonolento faz tempo que eu sei o que é sonhar.
Levanto e ando, sigo me apoiando na parede, a parede dura, fria e imóvel me avisa que ainda estou dormindo, mesmo que não sonhando.
Acordar não é uma opção, deixamos a tempos o mundo da imaginação, temendo que não era real. Mas a realidade da falta de imaginação é muito pior que um suposto lugar imaginário que talvez não exista.
Por isso o café me torna adulto, por isso ele tenta me dispertar. Por isso tomo cafe, mesmo não querendo.
Mas as responsabilidades diárias de uma vida adulta nos fazem perder a imaginação deixamos de criar para produzir, prazo produção, meta, indicadores, agora todos eles estão pedindo mais imaginação, criatividade, "resolva tudo isso" - eles dizem, "de uma maneira diferente".
Acordar? Será um acordo entre o café e a vida de adultos chatos que vivem no seu limite do possível. Será um acordo entre a criança interna que amuito está adormecida e a falta de espaço para ela num mundo maliciosos que consome inocência e imaturidade no café da manhã.