domingo, 22 de outubro de 2017

Um Ponto no Tempo

Um tempo no ponto.

O de todos os pontos, o pior possível; no ponto de ônibus.

É um lugar incrível para se passar o tempo, o pior para se ganhar tempo.

Fico sentado horas a sua sombra, quando realmente preciso dele esse lugar se torna maldito.

No ponto de vista do ponto tudo é passageiro, para o motorista também.

Não existe relação, é só algo passageiro. Um abrigo passageiro cheio de passageiros.

Não lugares de espera a para qualquer momento.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Alfinete diário

Todas as vezes que eu chego no mesmo ponto de ônibus, e vejo que ele está cheio. Eu temo.

Sempre que eu chego no mesmo ponto de ônibus de todos os dias e não tem ninguém nem uma alma viva. Eu temo.

Se eu chego em algum lugar e vejo o rosto familiar que não lembro da onde eu o conheço, não sei seu nome. Eu temo.

Sempre que estou na minha mesa e o meu superior me chama, só eu. Eu temo.

Quando são 22:00 de um Domingo de folga e eu nem vi o dia passar. Eu temo.

Não é um medo como alguém que tem uma fobia, mas são momentos de pequenas tensões, é um frio na coluna de uma alma calejada, que por experiência própria se prepara para qualquer tipo de notícia.

É quase uma premonição de alguma coisa pode acontecer, pode ser boa, pode ser ruim e na maioria das vezes não acontece nada.

Ultimamente tenho bastante disposição para enfrentar esses tremores.

Essas pequenas ansiedade com calafrio só  aparece para lembrar que você está vivo, que você é uma pessoa que comete erros, que se esqueceu do remédio para emagrecer, que tinha algum boleto escondido lá no fundo mais que profundo da caixa de correios, que o lápis sempre quebra aponta quando ele cai no chão, você sempre tem que pôr água na Kombi, não importa se é um erro de engenharia ou falta de manutenção, que é horrível a sensação de não reconhecer um rosto quanto te cumprimentam,  que você precisa confiar de verdade naquele que é antes de tudo.

Enquanto isso ainda estou no ponto de ônibus, o mesmo de sempre, e não aconteceu, as pessoas vem chegando, o ponto vai se enchendo e nada.

Nada mesmo

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Brado Retumbante

Um dia ela chegou quieta, preocupada, com a cara fechada, subiu num lugar alto e começou a gritar!.

Seus berros eram ouvidos por todos os cantos da cidade, em lugares mais periféricos sua voz ecoava tão forte.

Gritava obviedades aos ventos, nas praças, nas ruas, no transporte em escolas e faculdades, todos podiam ouvir. Mas poucos entendiam, quase ninguém compreendia.

Ela continua a gritar, em tom forte, mas pra muita gente seu berro é como um silêncio profundo, o som de sua voz nem incomoda mais.

Eles preferem ouvir a voz desse século, encontram dentro de si resposta para tudo, fogem do que é natural, fazem do que é certo errado, assim se embriagam com seus desejos ocultos, escondem o sofrimentos dentro de suas ideologias.

— Gente louca! Até quando terão prazer de zoar com minha cara!. Vocês me fazem rir quando não escutam o que eu digo!

Ela continuava gritando!

— Será que você nunca vão aprender?! Me escutem! Enquanto há tempo!

— Vocês não percebem que estão errados? Não escutam o que eu digo aceitam minhas sugestões. Assim vocês vão sofrer, vão morrer, serão destruídos por estarem bêbados de si mesmos.

Provérbios 1:20,...

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