quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Apertado curioso

Num vagão qualquer apertado, expremido, sacolejando, para onde quer que se olhe só se vê pele de braços erguidos, se apoiando no teto ou em algum corrimão.

O ar já respirado passa uma sensação de falta de ar. O ar-condicionado se esforça ao máximo para evitar o improvável calor de 32°C.

Dentro do vagão 25°C ou 26°C. Pessoas transpiram umas nas outras, o contato é desumano, involuntário, nessessario.

Lá dentro por entre pele e braços, sobra um pequeno pedaço de janela em seu campo de visão. Nesse pequeno pedacinho de visão do mundo externo ele  pode observar o bairro passando, prédios, carros, pessoas, vidas em movimento.

Um prédio num terreno mais elevado lhe chama a atenção, o prédio está lá sozinho destacado pela sua posição, talvez de 20 ou 15 andares. Uma janela em especial ele fixa o olhar.

Será que tem alguém ali?

Será que ele sabe que eu estou justamente olhando para ela?

Se ela estiver olhando pra mim, serei somente um pequeno detalhe em sua rica paisagem, mas se essa pessoa olhar pra mim e me ver ? Além de um vagão num trem lotado, num pedacinho de janela entre uma multidão de braços.

O que será que ela está pensando de mim?

Será que estou violando sua privacidade?

Quantas pessoas estão olhando essa mesma janela nesse momento?

Talvez só estão vendo um prédio num lugar alto.

Ninguém sabe o que está acontecendo lá ?.

Um crime ou uma história de amor?

Um ninho de baratas, ou alguma dor?

Dentro da janela num prédio passando e eu sou só uma pessoa num vagão lotado.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Dia Hoje

Hoje.

Que dia é esse?

Mais um dia comum, um dia útil, normal, não tem nada diferente, nada de extraordinário.

As pessoas continuam se movendo, alguns por impulso, outros por ganância, e alguns poucos sabem o que querem, porque sabem quem comanda tudo no universo, essa referência faz a diferença em sua construção de vida de sonhos.

É claro que todos os dias um ciclo se fecha dando início a outro, mas hoje não, nada.

Todos os dias são assim como esse.

Minha única esperança é esperar.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Fim de Feriado

Eles desceram do carro parado em frente ao condomínio. Corpos cansados, rostos levemente queimado pelo Sol.

Cansado de se divertir, era visível a marca de sorriso estampado em seus rostos, o dia deve ter sido bom, bem divertido, estão todos exasto se movendo preguiçosamente.

Abrem o porta malas e tiram mochilas, sacolas, cabelos molhados, pés de chinelos.

Taí alguém que soube aproveitar esse feriado, deve ter sido um dia lindo cheio de aventuras e sorrisos, piscinas ou cachoeira, talvez uma praia, ou uma aventura radical como pular de paraquedas, mergulhar em alto mar.

Não sei o que eles fizeram, mas fizeram algo que deixou evidente que suas vidas; pelo menos hoje, foi melhor do que a minha.

As preocupações deles são outras, se é que esses sorrisos se preocupam com algo de fato.

O fato é que eu não fiz nada além de trabalhar, não sei nada além do meu serviço.

Curtir tem outro significado pra mim, é como se fosse outra palavra para eles.

Preciso reaprender alguns significados.

Esses jovens exalando saúde e energia, transbordam felicidade de ser quem são, ou então eles atuam muito bem. Tenho que aprender a viver como se houvesse a vida inteira pela frente, como um lindo dia, satisfeito de ter aproveitado o sol, banhando por abundante água gelada, como aqueles cansados corpos e sorridentes juvenis.