sábado, 2 de dezembro de 2017

Problema do teletransporte

Antes dos primeiros contatos com os outro seres universo, já tínhamos uma vasta pesquisa sobre o Teletransporte, alguns testes quânticos revelaram o sucesso do teletransporte.
A esperança do deslocamento rápido da humanidade estava assegurado. Porém alguns filósofos alertaram para os problemas sociocultural que esse tipo de transporte poderia causar nas futuras regações.
Felizmente com ajuda da tecnologia e engenharia de outras civilizações do universo, conseguimos avançar em pouco tempo. Logo teletransporte substituiu serviço de transporte de cargas pelos oceanos. Para infelicidade das pessoas que se formavam em logística.
Depois de longos estudos e pesquisas conseguimos aperfeiçoar o teletransporte, transmitimos coisas pelo universo, objetos, comidas, matéria prima, tudo vinha e voltava pelo teletransporte. O universo inteiro usava nossas soluções de teletransporte.
Apesar da maioria das raças de seres do universo viajarem por teletransporte, nós (os seres vivos do planeta Terra) nunca conseguimos chegar vivo, do outro lado.
No início o teletransporte foi apelidado de “Moedor de Carne Expresso”.
Pois a materialização do outro lado era uma coisa nojenta e desorganizada.
Depois de ajustarem alguns parâmetros, conseguimos materializar as pessoas do outro lado, mas ainda sem vida.
Aquilo começou a se tornar constrangedor, éramos os únicos no universo que não se movia pelo teletransporte.
Depois de muitas teorias, teste (este que quase extinguiu a população carcerária dos países menos desenvolvidos), chegamos a conclusão que os humanos não sobrevivem ao teletransporte, na verdade não sobrevivem a desmaterialização. Tentaram de tudo, inclusive diminuir a massa para zero, ainda assim do outro lado chegava um corpo perfeito sem vida. (Num dos testes usaram toda energia disponível para acelerar ao máximo tentando diminuir o tempo de transporte para nano-milésimos, acreditavam que quanto mais rápido mais chances de tinham alguém chegar vivo do outro lado, (nesse caso específico a pessoa não apareceu, ela simplesmente sumiu)).
Alguém disse que “A alma humana é muito grande para ser teletransportadas",  então o assunto tomou proporções espirituais e filosóficas quase ao nível da insanidade.

O Teletransporte era usado para tudo em nossa sociedade, substituindo todo tipo de transporte que qualquer coisa que não fosse viva.
Os bancos e instituições financeiras investiram pesado para implantar essa tecnologia, eliminando todos os custos de transporte de valores.
Todo dinheiro era teletransportado direto de um cofre para o outro. Os caixas eletrônicos equipados com teletransporte nunca precisavam ser carregados.
Até o setor problemático de telecomunicações foi beneficiado com o Teletransporte, todos os celulares tinham a tecnologia de transmissão.de dados via teletransporte.
Um dia num laboratório brasileiro de pesquisa em teletransporte, um estagiário comenteu um erro de programação em um dos milhares de teste que faziam diariamente, então ao invés de teletransportar alguém ou alguma coisa, ele fez uma cópia sem  desintegrar o objeto, então ele poderia clonar instantaneamente qualquer coisa ou pessoa.
Logo os bancos, descobriram isso aumentam suas riquezas a valores absurdos, o planeta inteiro entrou numa crise que acesso de abastecimento, de dinheiro.
Em seguida a tecnica foi usada na.medicina, acabando com as filas para transplante de órgãos.
Tudo estava quase indo bem quando um grupo de hackers descobriu que era possível interceptar informações teletransportadas, e copiar transmissão sem alterar o destino da carga. Era uma máquina que lia as frequências de qualquer coisa sendo teletransportadas, então ele teletransportava isso para um outro lugar. (Na verdade foi um teste de teletransportar o ar de um lugar para o outro, assim por acidente materializou algo além do ar)
A ideia funcionou de tal maneira que os governos no universo inteiro foram atrás dessa tecnologia para destruí-la. Assim depois de prender o bando, essa máquina foi escondida nos laboratórios de pesquisas da Federação Universal. Lá eles estudaram a máquina, para se protegerem dela.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Restringiram o acesso

“Devido a interferência de usuários na via os trens estão circulando com velocidade reduzida maior tempo de parada!”.

Essa é a frase que precede o caos, trens lotados, plataformas cheias filas nas catracas, pessoas estressadas, funcionários exaustos, velhas caindo no vão entre o trem e a plataforma, pessoas comprimidas ao extremo, portas que não se fecham completamente.

A voz anônima ecoa dos altos falantes para toda estação.

“Estamos restringindo o acesso nas plataformas por medidas de segurança”
Porque!?
Logo agora!?
No horário de pico. Bem no momento em que todo mundo precisa do transporte público, uma única pessoa, sozinha! Tenta se matar? Ou conseguiu! Talvez nenhum dos dois, ou então alguém estava fazendo alguma coisa na hora e no lugar errado.

Daí vem aquela gente que diz que tudo é uma porcaria um lixo! Que deveria sair do país. E todo aquela reflexão já refletida, assuntos de bolso que todos guardam para momentos como esse.

A questão máxima é:
O que seria exatamente a interferência de usuário na via?
Numa rua onde circulam automóveis seria um pedestre tentando atravessar para o outro lado.
E numa linha de trem? Do metrô, com o terceiro trilho proximo do chão, com quase doze mil volts.

Será que esse indivíduo realmente tentou se matar?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Pai do Prodigo

Era mais uma manhã, mais um dia sem ele, desde que se fora, passava as primeiras horas da manhã observando o horizonte o sol nascer ao fundo, para além porteira principal a entrada da fazenda.
Essas terras era de sua família a mais de 10 gerações, ele sonhava com o dia em que passaria o legado para seus dois filhos; desde que começará com o negócio de reflorestamento os valores em sua conta bancária triplicou, se quisesse viveria de juros mais 5 ou 6 gerações.

Seus olhos inquietos observava o horizonte, estático como uma fotografia nada surgia, assim começava mais um dia, todas as manhãs eram dolorosa, depois que ficará viúvo tinha se apegado demais a seus dois filhos, imaginava um futuro brilhante para cada um deles, traçava planos, sabia que eles seriam realizados, felizes, acima de tudo sabia que a fazenda continuaria em boas mão, o legado continuaria.
Ainda observando permitiu uma lágrima borrar sua visão, naquele dia completará 3 anos que seu caçula se fora, pior que saber que seu filho está morto, é não saber onde ele esta, é não saber como ele está, é respeitar a escolha sua escolha de não querer fazer mais parte da família e sumir pelo mundo.

Todos os dias quando ele não surge no horizonte é mais um dia de luto, como se recebesse a notícia de óbito do filho todos os dias, durante longos 3 anos.
Logo quando o Sol surgia voltava a suas atividades de fazendeiro, se permitia sobrecarregar de trabalho para manter a cabeça ocupada, sempre que passava pela porteira principal gastava algum tempo observando a estrada por onde ele se fora, muitas vezes teve a ilusão de velo andando devolta bem vestido, arrumado como um empresário de sucesso, com saudades da calmaria do lar. Era como uma miragem.

Nos dias de inverno ficava grudado na janela observando a porteira, durante a noite nunca dormia de fato, ficava sempre alerta a qualquer ruído corria para porta para ver o que era, na esperança de ver quem era, mas nunca era ele.
As vezes se surpreendia rindo, imaginando o dia em que o teria devolta em seus braços, imaginava a festa que daria, pensava em todos os detalhes. Alimentava os cordeiros com segundas intenções, sempre deixava um ou dois dos mais gordos de reserva caso se precisasse de uma festa de última hora.
Todas as manhãs eram iguais, deixava uma lágrima cair quando não via. Ao mesmo tempo que tinha esperança de vê-lo surgir devolta na porteira, o choque da realidade cruelmente anunciava mais um dia de luto.

Naquele dia depois do almoço o mais velho liderou uma expedição  para um setor da área de reflorestamento, o pai levou o faraó (vira-lata de estimação da fazenda) para passear, o cachorro correu para porteira e ficou latindo alto em direção da estrada, o pai foi até o cachorro e ficou pensando por que ele estava tão inquieto, latia sem parar. O sol estava forte, o ar muito seco, decidiu levar faraó para um local de sombra, quando ergueu seus olhos para o fim da estrada no horizonte viu um mendigo esfarrapado tropeçando pelo caminho,  a primeira vista não se importou muito, queria levar o cachorro para um lugar mais fresquinho, quando o resto humano pelo caminho levantou a mão e continuou andando algo lhe pareceu familiar.

Seus olhos se concentraram naquele podre homem no caminho, seu coração começou a disparar, as lágrimas começaram a pesar.

— Não pode ser — pensou em voz alta.

Se lembrou da decepção que teve quando confundiu um vendedor que chegara sem avisar, a alguns meses atrás, depois disso só atendia quem marcasse horário.
Não conseguia parar de olhar aquele vulto humano cambaleando, o faraó não parava de latir e bater as duas patas no chão, como fazia quando brincava com as crianças.
Conforme o homem se aproximava pode reconhecer a feição de seu filho em meio a sujeira e aquela barba desajeitada.

Seus coração disparou não pode conter a enxurrada de lágrimas que guardara todos esses anos para aquele momento, tentou erguer a voz chamando os empregados, mas lhe faltou a voz, o nó na garganta era amargo.

Sem esperar nem mais um segundo depois de ter certeza absoluta, aquele velho pai sai correndo em direção ao seu filho, que surgirá do mundo dos mortos, foi o mais rápido que seus joelhos lhe permitiram, filho desorientado se jogou nos braços do pai soluçando seu arrependimento, com coração cheio de culpa.
Os dois abraçados chorando, tentavam dizer alguma coisa para o outro, mas o choro não deixava.

Vergonha e culpa de um lado, felicidade e esperança do outro.

Faraó uivava de Saudades do seu antigo companheiro, batia suas patas nas costas do filho implorando um pouco de atenção.
O pai levantou o filho; lhe pareceu muito mais leve como de costume, colocou ele nos ombros e o carregou  porteira a dentro, gritando o nome de todos que poderiam estar perto.

— Rute!!! Maria!! , Jorge!! Venham!!!

O Pai continuou carregando o filho até a entrada da casa.

O filho tentava dizer alguma coisa.

— Pai, Desculpe, fui um estúpido, não sou..

O Pai interrompeu colocando a mão em sua boca.

— Rute venha aqui!! meu filho voltou.!!!

Mas o filho insistiu

— Pai ! ! Eu estava errado, eu insultei você e fiz tudo de errado contra Deus. Não sou mais dign…

Bem nessa hora o Jorge mordomo apareceu com um sorriso no rosto, o Pai gritou interrompendo a fala do filho

—Jorge prepare o melhor banho que você puder na banheira do meu quarto, depois vista ele com meu melhor terno de gala. Rute!! manda teus meninos matar o Cordeiro Gordo, mande alguém comprar carvão, chama os seus primos do samba pra tocar, que hoje vai ter churrasco completo, porque o meu mais novo voltou dos mortos, hoje ele voltou a existir.

O filho em prantos foi levado pelos empregados, os trapos que ele estava vestido jogaram no lixo, chamaram o melhor barbeiro da região para cortar seus cabelos e aparar sua barba.

Enquanto tomava banho deram água e frutas para o filho comer, pois o mesmo implorava por comida. Em seguida ele tentou não vestir o terno que seu pai trouxe da Itália, pois  só usava em festas solene, mesmo assim os empregados insistiram em cumprir as ordens do patrão.

Quando o pai viu seu filho arrumado e limpo chorou novamente, o beijou depois colocou em um lugar de destaque na mesa, o cheiro do churrasco já estava no hambiente.
Os músicos já estavam tocando o repertório favorito do Pai, o filho não estava acreditando em toda aquela recepção.

Enquanto o som rolava os parentes foram chegando a casa ficou cheia.

O mais velho voltava da longa caminhada das terras de reflorestamento, o seu relatório não era dos bons; descobrirá uma praga que estava apodrecendo as raízes das árvores, fora o pequeno foco de incêndio que devastou um terço do setor norte.

De longe viu a fumaça saindo da churrasqueira, viu os carros estacionado no gramado, a casa parecia cheia.

— Eita !!! Tá rolando um Festão — disse um dos funcionários que estava com o mais velho.

Todos começaram a se animar, e apressaram o passo. O mais velho ficou tentando lembrar de algum feriado ou data comemorativa, deixou escapar um sorriso imaginando que deveria ser seu aniversário, porém seu pai não fazia nenhum planejamento antes de o consultar, para toda aquela festa repentina tinha que ter um excelente explicação.
Os outros entraram correndo na casa, o mais velho desconfiado entrou por último, quando viu a casa lotada todos cantando, viu seu irmão mais novo, ao lado do seu pai, o menino estava com um rosto pálido mas feliz.

Aquela cena parecia impossível, começou a morder os dentes e bufar de ódio, saiu da casa bravo batendo os pés, foi andando inconformado, cheio de raiva.

Logo em seguida seu Pai lhe aparece.

— Vamos filho, lá dentro está melhor que aqui. — disse o Pai com carinho.

— Não é Justo isso!, esse menino pediu sua herança antes da hora e saiu pelo mundo, enquanto eu procurei te honrar em tudo que você mandava, tirei as melhores notas, nunca fiquei de PD, trabalhei feito um escravo debaixo do sol, e nem um dia de folga você me deu pra eu curtir com a galera — disse o filho furioso.

— Que isso Abel porque você está assim tão bravo?, Não faz essa careta.

— Agora que esse menino voltou, cansado de gastar o todo o seu dinheiro com as puta, você vai e mata o cordeiro da ceia de natal.

O pai olhou diretamente nos olhos do mais velho e disse: Meu primogênito, meu filho querido você nunca me deixou, tudo que é meu é seu, sempre foi, mas o seu irmão até ontem não existia, ele era um morto sem enterro, e agora ele está vivo, vivo e arrependido, isso exige um comemoração, se alegre também comigo, a família está completa novamente.