quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Sem Nada

Como é bom não carregar um peso.

Principalmente se o peso em questão estava te machucando; principalmente quando você joga bem longe para não se lembrar de como essa carga era. Mesmo não reconhecendo a quantidade de responsabilidade que eles tem sobre esse peso, me livrei logo que entendi que era uma questão de sobrevivência.

Não importa se é justo ou necessário, não importa nada depois que se sente o alívio.

Dependendo do peso você só retira algumas partes, porque assim fica mais leve, a agradável sensação de conforto é momentânea, você precisa tirar tudo, tudo mesmo.

Eu sei que é difícil: é incoveniente, é um saco, você já fez sua parte, não depende de você.

Mas se você for esperar pelos outros, por mais óbvio que isso seja, sempre vai ficar com um pedaço daquele peso, peso inútil, ou confortável.

Têm pesos que são tão delicado que você nem lembrava que estava levando, esta escondido em lugares que não queremos voltar, num cantinho escuro no sótão empoeirado, dentro de uma caixa velha, dentro duma lata enferrujada, embrulhada num saco de pão, está lá, todo mundo tem um peso desses.

A escolha é sua, ou você esquece e vive assim carregando alguma coisa, mesmo que pequena e leve, ou você joga fora de vez! Faz aquela faxina geral e coloca as coisas no lugar.

domingo, 13 de agosto de 2017

Moradas

Sabe! Ultimamente algumas coisas estão me assustando?.

A falta de dinheiro, as contas, o básico não adquirido, a vida miserável em procura de significado, o medo de virar cachorro para reconhecer quem é que está no comando.

O Stresses, as reclamações, o excesso de trabalho, escolhas erradas, o tempo em família perdido.

Em meio a tudo isso vem uma voz doce e suave que me diz:

– Não! Não é aqui meu filhinho, a aqui não é o seu descanso, você não é desse lugar, não seja como eles são.

– Mas como vou viver sem….

– Você não é daqui, você é um forasteiro, sorria e saiba que eu consegui vencer, então continue. O que você acha que conhece não é nada, esse lugar da onde você é,  existe, e é melhor do que você pode imaginar, falta pouco para gente se encontrar, e tudo o que está acontecendo não é nada. Você não é um terráqueo, seja como tal, seja Luz.
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sexta-feira, 7 de julho de 2017

Deslocado

Num bairro nobre, uma area mista, cheio de predios residencial e muitos corporativo. Naquele bairro as melhores e maiores empresas do mundo tinham uma sede, ou pelo menos mais de uma filial, todas as agências de bancos, toda esquina um restaurante, bar, pub, algum serviço muito específico.

Num lugar que atraia a população de vários cantos da cidade, o horário de almoço era facilmente confundido com alguma manifestação devido a quantidade de pessoas na rua, nas calçadas, escritórios e filas de espera, um mar de gente saindo do metrô.

Ele estava lá, sozinho, num ponto de ônibus, em plena sexta feira, as 20 e tantas da noite. A vida noturna extremamente interessante começa a brotar num bar ao lado, na calçada em frente ao bar, junto as mesas, um violão folk tocado por um vocalista escocês, um outro membro do grupo usa um acordeon para acompanhar a música que envolve o hambiante, pessoas semi bêbadas esbanjam sorrisos ao balanço da música.

Tudo seria ótimo, perfeito, se não estivesse parado num ponto de ônibus, aguardo a única linha que passa naquele rua, o ônibus que só passava nunca.

Todos os olhares lhe diziam: “Ei o que você faz ai parado esperando por alguma coisa?, Ei cara você está desarmonizando minha noite.”

Ele queria estar fazendo qualquer coisa, mas não podia, dependia uma coisa que poucos naquela calçada sabia o verdadeiro significado, Transporte Público.

Enquanto isso a vida seguia sem ele, e em volta dele, enquanto ele não vinha.

Ele preferiria estar fazendo qualquer outra coisa, mas primeiro o ônibus tinha que passar primeiro.

Enquanto isso não acontecia nada, nada aconteceria.